sexta-feira, maio 26, 2023

António Manuel Varela Marques de Sá

É com muito pesar que damos a conhecer o falecimento, ocorrido hoje de manhã, do nosso Amigo e Camarada Marques de Sá.

Manifestamos sentidas condolências à sua Família, Amigos e Camaradas.

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Chega-nos informação de que o velório do terá lugar em 29 de Maio, segunda-feira, a partir das 1600, na Igreja de N. S. de Fátima, Lisboa, e de que no dia seguinte, 30 de Maio, pelas 1000, terá lugar a celebração da palavra na mesma Igreja, saindo o funeral pelas 1015 para o Cemitério dos Olivais.


sexta-feira, maio 19, 2023

João Carlos Pina Correia Marques

 

É com muito pesar que damos a conhecer o falecimento, hoje ocorrido, do nosso Camarada e amigo Correia Marques, de cuja companhia sentiremos muita falta.

Sentidas condolências à sua Família, Amigos e Camaradas.

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Chega-nos a informação de que o corpo do nosso Camarada estará na Capela do Cemitério de Alcabideche (Cascais) a partir das 11h30m da próxima terça-feira, 23MAI. Terá lugar uma Encomendação pelas 15h00, a que se seguirá a sua cremação no mesmo cemitério.


 

quarta-feira, maio 03, 2023

CR: 60 anos

Previsto para o próximo 1JUN, às 1500, terá lugar o início dos eventos que marcarão o sexagésimo ano de ingresso na Escola Naval deste Curso, materializado pela apresentação de cumprimentos ao Chefe do Estado Maior da Armada.

Na ocasião, representarão o curso os camaradas Vasconcelos da Cunha, Silva da Fonseca, Rebelo Duarte e Cardoso Anaia.


segunda-feira, maio 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Maio 2023

 

Decorria o mês de Abril de 1789. A 27 desse mês, O tenente William Bligh, comandante do HMS Bounty, não tinha razões para estar descontente, considerando que até àquele momento a missão que cumpria decorrera satisfatoriamente. A “Bounty” largara de Taiti (Otaheite, como a designavam) a 4 desse mesmo mês, levando um carregamento de pés da árvore da fruta-pão, destinadas a introdução nas “Índias Ocidentais”, devendo depois regressar à Europa.

Fora nomeado para o comando da “Bounty”, um navio de 3 mastros com cerca de 28 m e 215 ton, e uma guarnição de 44 homens, em 16 de Agosto de 1787 e acompanhara a preparação para a missão de perto. É certo que a partida de Inglaterra, a 23 de Dezembro de 1787, não fora auspiciosa, dados os ventos contrários encontrados e depois uma tempestade, que causou danos e perdas que obrigaram a arribar a Sta. Cruz de Tenerife, e mais tarde, o mau tempo voltou a impor-se, obrigando Bligh a desistir de passar ao Pacífico pelo Horn, e procurar o cabo da Boa Esperança. Mas esses eram contratempos familiares, e a “Bounty” chegara a ao Taiti a 9 de Outubro de 1788, após percorrer mais de 27000 milhas, cumprindo a primeira parte da missão.

A estadia, relativamente longa no Taiti também correra satisfatoriamente, quer por ter sido obtida a carga procurada quer pelo caloroso contacto com os habitantes. Da guarnição que partira das Ilhas Britânicas tinham falecido dois elementos, um no mar e outro já no Taiti, mas esses infelizes acontecimentos não punham em questão a missão. Sim, Bligh não deveria estar muito preocupado naquele dia 27, quando, tendo dado as ordens para a noite, recolheu ao seu alojamento. Porém, pouco antes do nascer do sol de 28 de Abril, em vez do cabo de quarto, foi acordado por Fletcher Christian, oficial de quarto àquela hora, acompanhado de dois outros elementos da guarnição, que, armados e ameaçando-o de morte, lhe deram voz de prisão e amarraram-lhe as mãos atrás das costas.

 Apesar de lhe ter sido imposto silêncio Bligh grita em busca de ajuda, mas os amotinados já tinham imobilizado os outros oficiais e o restante da guarnição, não havendo socorro possível. Foi então forçado a subir ao convés, levado para junto do mastro da mezena, e ouvido ameaças sempre que procurava uma explicação. Os revoltosos, apenas 9, elaboraram um bom plano para se apoderarem do navio, foram suficientemente discretos para não levantarem qualquer suspeita, escolheram um momento propício e foram eficazes na sua execução, bloqueando qualquer possibilidade de reacção. Dominando a situação, usando ameaças e sublinhando-as com armamento, mandaram arriar uma embarcação e forçaram a transferência de vários elementos para seu bordo permitindo que fossem levados alguns materiais tais como cabo, lona, velas, água, pão, algum rum e vinho e mesmo um quadrante e uma agulha, mas proibiram qualquer outro material necessário à navegação e armas. Depois de terem forçado todos os que não desejavam que permanecessem no navio a abandoná-lo, chegou a vez de Bligh e a embarcação foi amarrada à popa. Durante o embarque tornou-se aparente que uma parte dos que permaneceram não participou no motim, vários foram os que tentaram chamar à razão os amotinados ou fornecer mais alguma coisa aos expulsos tendo mesmo sido atirados para a embarcação alguns cutelos, roupa e alimentos, embora em pequena quantidade. E, antes de largarem a embarcação à deriva no Pacífico, os amotinados ainda se deram a uma sessão de humilhação aos expulsos.

Os amotinados apoderaram-se assim da “Bounty” e de tudo o que ela continha, incluindo os pertences dos que ficaram na embarcação, que viriam a dividir entre si. Bligh viu-os num rumo que julgou enganador, já que tinha percebido que pretendiam na realidade dirigir-se para Otaheite.

Cumprida com sucesso a revolta, viria a ser apenas o início de um longo drama que custou inúmeras vidas, sofrimento e recursos.

Bligh, e os seus procuraram reforçar mantimentos e água numa ilha próxima, tendo tido algum sucesso, mas quando os habitantes se tornaram agressivos fizeram-se ao mar, tendo no entanto sido morto um deles, à pedrada, durante o ataque de que foram vítimas. Enfrentam então uma extraordinária viagem, a bordo de uma embarcação de 7 m e boca aberta, sobrecarregada, comandados por Bligh até Kupang, na parte holandesa da ilha de Timor, onde chegam a 14 de Junho, num estado lastimável mas sem qualquer baixa. Após a necessária recuperação, regressarão à Europa separadamente, conforme os meios disponíveis, apenas 12 dos originais 19, tendo os restantes falecido. Bligh desembarcou na ilha de Wigh em Março de 1790. Viria, após promoção, a ser reenviado em missão semelhante, que cumpriu com sucesso.

Quanto aos amotinados, dirigiram-se inicialmente para a ilha Tubuai, pretendendo aí estabelecer-se, mas não foram felizes, dada a oposição da população e desacordos entre si, dirigindo-se então ao Taiti, onde a ausência de Bligh e restante pessoal bem como das plantas embarcadas provocou interrogações. Mentindo, conseguiram obter apoios e regressaram a Tubuai, levando também dezena e meia de taitianos, tentando retomar a ideia de aí se estabelecerem, projecto que não foram capazes de concretizar. Regressaram então de novo ao Taiti, onde a mentira tinha sido descoberta, e o grupo se separou, ficando em terra 16 e permanecendo no navio 9, partiram para não mais serem vistos, levando, contra sua vontade, 7 homens e 12 mulheres taitianos.

O HMS Pandora, uma fragata foi encarregada de capturar os amotinados. Chegou ao Taiti a 23 de Março de 1791 e aí foram presos 14 homens, tendo os restantes 2, dos 16 que a “Bounty” aí tinha deixado, já falecido. O “Pandora” procurou os restantes, pelas diversas ilhas sem sucesso, acabando por naufragar e originar muitas vítimas e novo drama de náufragos em embarcações de boca aberta. Apenas chegaram a Inglaterra 10 presos, tendo os outro 4 falecido no naufrágio. Foram julgados em corte marcial em Setembro de 1792, tendo sido considerados inocentes 4 e os restantes culpados, mas de entre estes o tribunal recomendou, com ênfase, ao Rei, o perdão a dois. O mandato final concedeu o perdão recomendado, acrescentando ainda um adiamento para um terceiro condenado, que viria também a ser perdoado. Os restantes foram sentenciado à morte.

Passados 20 anos, por mero acaso, um navio mercante americano (“Topaz”) descobriu, ao aproximar-se de uma das numerosas ilhas do Pacífico (Pitcairn) o rasto dos últimos amotinados. Sydney Smith, comandante da esquadra que escoltou a família real portuguesa quando esta se transferiu para o Brasil, do Rio de Janeiro, enviou o primeiro relato do assunto em 1809. Com a Europa em guerra, esta comunicação não teve qualquer seguimento, e, em 1815, com origem em dois navios britânicos (“Briton” e “Tagus”) que cruzavam no Pacífico, nova comunicação refere-se a Pitcairn, informando ser habitada, estar mal marcada nas cartas e nela viver uma pequena comunidade descendente de protagonistas do drama da “Bounty”. Também não houve qualquer seguimento desta comunicação, até que outro navio, o “Blossom”, em missão de exploração, visitou de novo a ilha. Nela, dos 9 amotinados vivia ainda apenas um, e dos taitianos não havia sobreviventes. John Adams, que ao tempo do motim se chamava Alexander Smith era o último dos revoltosos. Com base no que se conhecia e nas descrições de Adams, nem sempre verdadeiras, foi possível conhecer o destino dos amotinados.

 Em busca de um esconderijo seguro, Fletcher Christian, deu casualmente com a ilha após sair pela última vez do Taiti e decidiu ser o que procurava não só pela deficiente marcação nas cartas, mas também por ser de difícil desembarque e saber ser insuficiente a tripulação de que dispunha. O navio foi encalhado na foz de um ribeiro e dele retiraram tudo o que puderam, incendiando-o depois, para evitar chamar a atenção. Pouco tempo depois taitianos e europeus entraram em irremediável conflito, sucedendo-se assassinatos de tal forma que apenas sobreviveram dois, um deles Adams, apesar de também ele ter sido ferido. A partir daí, a paz, simpatia e entreajuda mútuas estabeleceram-se, crescendo a população descendente dos amotinados e taitianos. Falecido o penúltimo, por doença, Adams tornou-se o dono da ilha e a comunidade ganhou solidez, sendo descrita com simpatia e admiração por quem a contactou. Adams faleceu em 1829, nunca tendo sido preso.

Referências:

The Eventful History of the Mutiny and Piratical Seizure of H.M.S. BOUNTY: Its Cause and Consequences
Sir John Barrow

A Voyage to the South Sea For The Purpose Of Conveying The Bread-Fruit Tree To The West Indies, Including An Account Of The Mutiny On Board The Ship,
William Bligh,

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Neste último Abril passou mais um aniversário do “25 de Abril”, o quadragésimo nono. Neste primeiro dia do mês de Maio, o “25 de Abril” vive já seu quinquagésimo ano. Para quem viveu os tempos que o precederam, não apenas no sentido de que “já era vivo”, mas que, mesmo de longe, tenha acompanhado os acontecimentos que acabaram por o motivar, será porventura inevitável que lá regresse, através quer de memórias próprias quer de testemunhos alheios quer ainda de diversas iniciativas em muitas e diversificadas áreas que, como habitualmente, relembram e comemoram a data de 25 de Abril de 1974.

E, talvez também inevitável, encontrar algum espanto ao comparar o que podemos chamar de expectativas nesse passado com o que se lhe seguiu, até ao presente que vivemos. E as diferenças não são apenas decorrentes do período de quarenta e nove anos (que sem dúvida traria modificação por si só em qualquer sociedade), mas em decisiva parte fruto da intervenção do Movimento das Forças Armadas no rumo a que se governava o país. O “25 de Abril”, foi, na realidade, um momento revolucionário na nossa História.

Engalanamos em arco e relembramos o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas

 “Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma.
Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.”

(Emitido pouco depois das 04:00 do dia 25 de Abril de 1974
no Rádio Clube Português, pelo jornalista Joaquim Furtado)

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Quanto aos eventos que estão a ser considerados para marcar o sexagésimo ano de ingresso na Escola Naval do Curso Corte Real, foram considerados:

  • Cumprimentos ao Chefe do Estado Maior da Armada;
  • Conferência acerca da Marinha, pretendendo-se uma abordagem da actual situação e das perspectivas futuras, que talvez possa ser seguida de uma visita a uma unidade naval, a realizar preferencialmente em Maio ou Junho;
  • Visita à Escola Naval, a realizar em Outubro, em romagem de saudade;
  • Almoço com famílias, a realizar em finais de Outubro, na Messe de Cascais;
  • Fim de semana em Tavira, a realizar em Novembro, onde a família Corte Real tem a sua origem, e onde existe uma réplica da Pedra de Dighton oferecida pelo curso CR quando das comemorações dos 50 anos.

Estão em curso diligências para fixar datas e estabelecer pormenores, de que daremos notícia logo que deles tenhamos conhecimento.

E por fim, mas mais importante, resta-nos lembrar que neste mês de Maio, acabado de chegar, os seguintes elementos deste curso celebrarão mais um aniversário.

A todos, um abraço de parabéns:

12MAI (1946) Tito João Abrantes Serras Simões
22MAI (1943) António Fernando Vasconcelos da Cunha
24MAI (1944) José Matias Cortes
25MAI (1944) João António Lopes da Silva Leite
26MAI (1945) José Luís Pereira de Almeida Viegas
30MAI (1946) José Luís Rodrigues Portero

Recordamos também o José Pires Sargento Correia, nascido a 05MAI e o Carlos Amante Crujeira, nascido a 10MAI, que já faleceram.
 

sábado, abril 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Abril 2023

A 11 do mês passado, uma significativa parte da guarnição de um navio patrulha costeira, o NRP Mondego, em serviço na Madeira, recusou-se a cumprir a ordem de saída para o mar. Tal atitude, a todos os títulos inusitada, provocou múltiplos reflexos tais como opiniões ou comentários ou mesmo, a elevado nível, reacções tais como na Presidência da República ou no Ministério da Defesa Nacional, ou ainda, na Chefia do Estado Maior da Armada.

Sendo, na altura do incidente, a guarnição do navio constituída por 25 elementos, (5 oficiais, 5 sargentos e 15 praças), um total de 13 elementos (4 sargentos e 9 praças) recusou o cumprimento da ordem, justificando o acto pela deficiente condição do navio, em que diversas avarias comprometeriam a segurança, tendo inviabilizado o cumprimento da missão atribuída.

A gravidade do acontecido levou a que o Chefe do Estado Maior da Armada se tivesse deslocado ao Funchal onde, a bordo, falou à guarnição, tendo as suas palavras sido captadas no cais, originando opiniões de que se tinha tratado de um ‘raspanete’ ou ‘reprimenda’ à guarnição. Em declarações à comunicação social, colocou a tónica na necessidade da disciplina, que considerou ser a ‘cola essencial das forças armadas’, e também no crédito que a linha de comando carece, sem o qual elas deixariam de existir.

O inusitado da atitude dos elementos da guarnição e a parte que representam na guarnição total do navio parecem indicar que a confiança na linha de comando, neste caso, para eles se extinguiu. E, se bem que a indisciplina tenha de ser sancionada, já que a disciplina a todos abrange, também a razão que levou a que tal acontecesse precisa ser identificada e, eventualmente, expurgada.

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Neste mês de Abril de 2023 completam mais um ano:

07ABR (1945) Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes
12ABR (1944) Alfredo Virgílio Vitorino Dias
27ABR (1945) Victor Manuel Jorge Amaral

Daqui a todos enviamos um abraço de parabéns.

Recordamos também o Joaquim Francisco de Almeida Paes de Villas-Boas, nascido em 18ABR e o José Carlos Alves d’Almeida, nascido em 26ABR, ambos já falecidos.


quarta-feira, março 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Março 2023

Uma série de sismos, iniciada com um de violenta magnitude de 7,8 na escala de Richter, abateu-se no mês passado sobre a Turquia e a Síria, provocando vasta destruição material e um número de vítimas mortais, avaliado recentemente, em pelo menos 50000 pessoas. As autoridades referem que aproximadamente 2 milhões de pessoas ficaram desalojadas e que mais de 170000 imóveis não têm condições de habitabilidade, tendo de ser demolidos, pelo que facilmente se deduz que o número de desalojados é imenso. Uma tragédia que virá a exigir, muito possivelmente, um esforço solidário internacional com as populações atingidas que possa, pelo menos, minorar o seu sofrimento.

Não muito longe do sismo que referimos, a guerra na Ucrânia continuou a destruição material e a aumentar o número de baixas, tendo passado, a 24 de Fevereiro o primeiro aniversário da invasão. A posição dos dirigentes quer da Ucrânia, quer da Federação Russa, quer ainda da NATO ou da União Europeia não sofreu qualquer evolução ao longo do mês passado, tendo-se apenas reforçado a posição de que uma vitória da Rússia equivale a uma derrota não apenas da Ucrânia, mas também dos países e organizações que a estão a apoiar no conflito, que cada vez mais vezes são referidos na comunicação social como seus “aliados”. A 23 de Setembro, na Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas, da qual fazem parte 193 estados, uma resolução aprovada por uma inequívoca maioria de 141 votos, manifestou-se pela retirada imediata das forças invasoras e apontou para a necessidade de uma “paz abrangente e duradoura”. A China, que se absteve na votação desta resolução, apresentou um plano para a paz, que foi recebido pelos “aliados” com descrença, mas é cedo para avaliar o valor que poderá vir a ter.

Em Portugal assinalamos a rendição do Alm Silva Ribeiro pelo Gen Nunes da Fonseca na Chefia do Estado Maior General das Forças Armadas.

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Quanto a aniversários, lembramos, para quem esteja já esquecido, que se completarão, em Setembro, 60 anos após a entrada na Escola Naval dos camaradas deste curso Corte Real. 60 anos durante os quais vimos passar perante nós, ou neles mergulhámos, importantes acontecimentos seja na Marinha, em Portugal, na Europa ou no Mundo, e também, por último, mas não menos relevantes, da vida pessoal. Não será muito fácil comparar a Marinha de hoje com a daquele longínquo Setembro ou, na verdade, procurar fazer o mesmo com o CR: o tempo se encarregou de fazer cair, ao calhas, umas vezes suavemente como a neve e outras vezes com violência catastrófica, os átomos diários da diferença. Estamos todos (muito) diferentes!

Mas, apesar disso, podemos ainda encontrar as linhas que nos unem, as memórias que partilhamos e essa indefinível camaradagem nascida sob o lema Talant de Bien Faire; e por isso um grupo de camaradas procura encontrar um conjunto ligeiro de iniciativas que, sem prejuízo do simbolismo, possa marcar o supra citado aniversário. Por enquanto em estudo, daremos nota de futuros desenvolvimentos.

Lembramos também que neste mês de Março de 2023 celebram mais um aniversário os seguintes camaradas:

07MAR (1944) Francisco Ferreira Baptista
09MAR (1945) José dos Santos Jorge
12MAR (1943) António José Valadas Borrego Linhan
24MAR (1944) Zenóbio José Roque Cavaco

Daqui enviamos os nossos parabéns.

Recordamos os camaradas já falecidos, António Dias Ferreira (em 04MAR2012), e Fernando Sanches de Oliveira (nascido a 25MAR).

quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Fevereiro 2023

A “Pero Escobar”, uma fragata, esteve ao serviço da nossa Marinha de Guerra entre 1957 e 1976, quando foi abatida ao efectivo. Construída na Itália, no estaleiro “Cantieri Naval Meccanica” (Castellamare di Stabia), foi lançada à água em 1955 e entrou no Tejo pela primeira vez em 1958. Com cerca de 93m de comprimento, quase 11m de boca e 3m de calado, atingia uma velocidade máxima de cerca de 32,5 nós, proporcionada por uma instalação propulsora (caldeiras e turbinas a vapor) com 24000 cv (cerca de 17650 kW), que lhe garantiu o título de navio mais rápido da Marinha durante alguns anos.

Era a nossa “Gina”, não havendo quem duvidasse a qual navio se aplicava a designação, dados o lugar onde fora construído, as suas linhas consideradas elegantes e a fama de Gina Lollobrigida, que protagonizara não há muito tempo o filme La Donna piú bella del mondo (1955). Coisas de marinheiros...

Gina Lollobrigida teve conhecimento da designação e fez chegar ao navio uma grande fotografia onde inscreveu uma simpática dedicatória. A fotografia foi colocada na câmara de oficiais e aí permaneceu até ao abate, tendo depois sido transferida para o Museu de Marinha.

Gina LolloBrigida faleceu no mês de Janeiro passado, aos 95 anos. Não nos é possível evitar que na memória apareçam imagens da sua presença nos ecrãs de cinema. Que descanse em paz. 


O mês passado foi (e, na verdade, também Dezembro de 2022) de mar desencontrado para o Governo, enformado em uma série de incidentes inesperados que motivou uma enorme onda de críticas, levou a várias demissões (chegando mesmo, uma delas, a ocorrer escassas 25 horas após a nomeação) e obrigou a uma remodelação do Governo. O Serviço Nacional de Saúde evidencia fortes dificuldades e na Educação não faltaram a greve e manifestações com consequências de sensível gravidade para muitas famílias e estudantes, para citar apenas alguns dos problemas que é possível encontrar referenciados nos órgãos da comunicação social. O Presidente da República, aliás como é seu hábito, pronunciou-se publicamente sobre parte importante dos incidentes, talvez afectando a respectiva evolução.

Um clima de suspeição omnidireccional e de largo espectro parece instalado, alimentado por frequentes notícias resultantes de jornalismo de investigação ou de investigações levadas a cabo pelas autoridades. Estão em foco a lisura, a competência, a seriedade, a honestidade ou a forma de interpretar o que é o “serviço público” de quem governa ou dirige. A tal ponto que o Primeiro Ministro anunciou a criação de um “mecanismo” de verificação prévia, espécie de filtro para nomeações, posteriormente materializado num questionário de 36 perguntas, classificadas como “uma antecipação daquelas que a comunicação social, mais dia menos dia, vai fazer” pelo Presidente da República, aparentemente no caminho de acrescentar um novo poder aos três que a democracia classicamente considera.

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Na Ucrânia a guerra e o seu rasto de morte e destruição prosseguiram ao longo do mês passado, dominado pela decisão da entrega ao Governo ucraniano de carros de combate de maior capacidade, que acabou por ocorrer, destapando de imediato as vontades de, de igual modo, proceder com aeronaves de combate sofisticadas. A invasão da Ucrânia terá completado, a 24 deste mês, um ano e não é fácil descortinar qualquer indício sério de suspensão de hostilidades ou de trazer o conflito para a diplomacia. Pelo contrário, cada vez mais armamento e de maior capacidade converge para a região, mais pessoal é empenhado, com maior treino e melhor equipamento. Essa convergência é avaliada de forma diferente pela Ucrânia, que carece de mais meios para se defender da invasão, ou pela Federação Russa, que afiança ser um significativo aumento de ameaça para si, naturalmente não considerando quão ameaçadoras, para a Ucrânia, são as suas próprias forças, que também convergem para a região e se fortalecem.

Estará em marcha o propulsor que levará, já sem possibilidade de controlo, a um agravamento imparável do conflito? Alguns observadores assim parecem considerar, e mesmo que já está em curso uma 3ª guerra mundial de facto, apontando a impossibilidade de qualquer dos lados se retirar:  já terá sido ultrapassado o ponto de não retorno.

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Neste mês de Fevereiro cumprem mais um aniversário os seguintes camaradas, a quem endereçamos sinceros parabéns:

04FEV (1944) Carlos Eduardo Vigoço Saldanha Carreira
13FEV (1945) Francisco José Morgado Castro e Silva
22FEV (1946) Augusto Manuel da Silva e Pinho

Recordamos também os camaradas já falecidos, Henrique Eugénio Claudino Morgado, Luís Gonçalves Marques Bilreiro, Luís Alberto Cristiano de Oliveira, Manuel Amândio Francisco Pina, José Carlos Alves d’Almeida (falecido a 03FEV2021) e Joaquim Francisco de Almada Paes de Villas-Boas (falecido a 15FEV2021).


domingo, janeiro 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Janeiro 2023

Jogar à bola é algo simples, fácil de compreender e fácil de executar. Joga-se em qualquer lugar, na rua, num baldio ou na praia, improvisa-se bola e balizas. Não as há? Criam-se, duas marcas de cada lado, aproximadamente da mesma dimensão, talvez com a pasta da escola, umas pedras ou roupa amontoada. A bola é muito cara? Fabrica-se uma, basta uma meia velha, alguns trapos ou papéis. Não há árbitro? Desnecessário! É preciso escolher duas equipas? Dois futuros jogadores separam-se alguns metros, e medem a distância com os seus pés; quem calcar o pé do outro inicia a escolha, alternando com o perdedor. Não há relógio para medir o tempo de cada parte? Troca aos 5 e acaba aos 10. O número de pretendentes é ímpar? O último escolhido muda de equipa a meio tempo. Só há dois jogadores? Joga-se baliza a baliza. Não há quarda-redes? Marca-se a zona onde o remate é possível e talvez se diminua a dimensão da baliza.

Claro, há o futebol. Onde as regras são mais rigorosas, onde tudo é mais sério, onde o jogo vive para além dele próprio, de permeio com outros jogos de outras equipas, na disputa de torneios. Mas a simplicidade original, a simbiose entre o individual e a equipa, o sabor da vitória, da habilidade da finta, do desarme, ou do golo obtido ou evitado, das fífias, das perdidas insanas ou dos frangos e dos imponderáveis próprios de um jogo lá estão e são sentidos e partilhados em comum e nem o árbitro ou os espectadores se excluem. Cada encontro é único, derrota ou vitória encerram-se quando termina, entrem ou não para a história em lugar destacado ou tragam consequências num torneio. No próximo encontro tudo recomeça por 0-0.

O futebol hoje é ubíquo, evoluiu muito a partir dos anos 50 do século passado, movimenta incontáveis interesses, emociona multidões, influencia governantes. Um dos grandes responsáveis por esta evolução, Edson Arantes do Nascimento, Pelé, faleceu no final do mês passado. Dotado de uma extraordinária habilidade, exibia velocidade, força, inventiva na finta, facilidade no remate e rapidez de reacção espantosas, tendo-se tornado no que alguns designam como o primeiro “jogador-marca” do mundo ou, também, o “melhor futebolista de sempre”.

O futebol continuará a evoluir, e virá provavelmente a ser bem diferente do que hoje conhecemos. Mas Pelé não será esquecido por muito tempo. Que descanse em paz.  

Na Ucrânia a guerra continuou, aparentemente com as forças da Federação Russa a consolidar o domínio sobre a região sudeste do país, noticiando-se a construção de obras de defesa, o aumento de efectivos e ataques intensos e frequentes a infraestruturas necessárias à produção e distribuição de energia. Como resultado a energia disponível tornou-se deficitária, pelo menos em algumas regiões, gerando um problema grave durante o inverno.

Na frente diplomática registam-se declarações em que a paz e a negociação estão presentes. A Ucrânia manifestou o desejo de uma cimeira de paz até ao fim de Fevereiro, sob a égide da Organização das Nações Unidas e com a participação do respectivo Secretário Geral, mas com condições para que a Federação Russa pudesse estar presente, a saber, que a Rússia aceitasse ser julgada em tribunal internacional por crimes de guerra. Pelo seu lado, o Presidente da Rússia afirma que a Rússia está pronta a negociar, mas apenas sobre situações que sejam aceitáveis. Parece evidente que a diplomacia só está diplomaticamente a falar, mas a efectiva vontade de paz está ainda longe de poder manifestar-se realmente.

A COVID parece estar em franco crescimento na China, motivando sérias preocupações caso se venha, como não seria surpresa, a espalhar-se por outros países, em particular se uma nova vaga for estimulada por variantes de características desconhecidas. Alguns países já tomaram medidas para restringir entradas de pessoas portadoras provindas da China, mas, dada a experiência do passado, tais medidas não podem ser consideradas como suficientemente eficazes.

Estamos pois num novo ano, MMXXIII, atravessando um Inverno por enquanto bem pródigo em nuvens prontas a deixar cair água para o solo. Neste mês de Janeiro celebram os respectivos aniversários:

07JAN (1945) Aristides da Costa e Silva
21JAN (1944) José Maria Rodrigues Rica

A ambos um abraço de parabéns.

Recordamos também o António Júlio Monsanto de Campos, nascido a 31JAN45 e falecido a 18DEZ2017 e o Alexandre José dos Santos, nascido a 16JAN1945, que julgamos já falecido, mas cujo registo não consta no Arquivo de Identificação.

Um 2023 Feliz


domingo, dezembro 25, 2022

Não se enganou!

Repito, não se enganou. Apesar do aspecto ser diferente, este é o blogue do Curso Corte Real, apenas com um novo cabeçalho. Porquê?

Tudo muda e evolui, "Todo o mundo é composto de mudança", porque não o nosso cabeçalho? Nascida a ideia, com a decisiva contribuição do Bonina Moreno, a quem devemos a concepção e execução, está concretizada, estando o CR a caminho de comemorar os 60 anos de admissão na Escola Naval, onde teve o seu nascimento.

Se digitalizássemos as mudanças do mundo e as pudéssemos ver representadas a cores e a tempo real, possivelmente obteríamos uma visão efervescente muito colorida, em permanente alteração, zonas onde a cor seria mais estável, outras em que a variação apareceria mais irrequieta, talvez fôssemos capazes de reconhecer alterações de comportamento influenciando a vizinhança e provocando autênticas tempestades de mudança ou outros casos em que a irrequietude seria amortecida até renascer de novo, continuando um eterno e variado baile. Nunca encontraríamos nessa visão a ausência de movimento, nem dois momentos idênticos em toda a sequência, escapar-nos-ia a visão de estabilidade ou a ideia de futuro desejável. Como um mar em que a ondulação nunca se repete, apesar das percepções de similitude que possamos construir.

Que "potestade, ameaço divino ou segredo" alimentará tal permanente e imprevisível instabilidade, se não a diferença, como a da pressão leva ao vento, o de potencial leva ao raio, a da gravidade leva ao fluir da água? Uma permanente procura de novos estados, não necessariamente melhores ou mais estáveis, parece universal e mesmo compulsiva. E enquanto as coisas inanimadas seguem sempre os ditames das diferenças alheias, como uma pedra que rola só se empurrada por alguma força e só pára quando encontra outra, os seres vivos lutam em permanência durante o período em que estão vivos por alguma autonomia, gerando a força para se manterem no ar, voando, ou a habilidade para trepar o tronco de uma árvore procurando o alimento, o mais das vezes à custa de outros seres vivos, que lhes fornecerá a energia necessária nessa luta de vida ou morte. Energia essa que, também ela, procura avidamente a entropia máxima que consiga encontrar.

Eis a razão da mudança do cabeçalho: viver num mundo em constante mudança, na companhia, mesmo que ténue e remota, de com quem nos sentimos bem. Nele retivémos as palavras do fundador do blogue, Joaquim Francisco de Almada Paes de Villas-Boas, "Um ponto de encontro dos camaradas do Curso Miguel Corte Real, onde se procura reavivar o passado e partilhar o presente" porque ela representa a bóia a que estamos amarrados.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

 

Um Ano Novo cheio de felicidade

segunda-feira, dezembro 19, 2022

Encontros do CR: Almoço em 9DEZ2022


Em 9 de Dezembro de 2022 teve lugar mais uma confraternização dos membros deste curso, desta feita no Clube House Golf, Herdade da Aroeira, associando o sempre grato convívio a um local tão aprazível como convidativo, à proximidade das festividades do Natal e à recepção de um novo ano. Estiveram presentes 17 camaradas, que com suas esposas totalizaram 30 convivas, tendo, infelizmente, diversos imprevistos impedido que as presenças tivessem sido mais numerosas.

Após a distribuição de um saboroso cozido à portuguesa, Vasconcelos da Cunha criou um momento de reflexão, em torno de 3 poesias de que referiu ter-se servido "para fazer o elogio e a necessidade de mantermos estes contactos regulares com que alimentamos a nossa amizade e espírito de grupo que, forjados num sonho comum e reforçados na sua vivência e recordações, nos guiam hoje a respirar o cheiro a alga da maresia e a procurar colher a estrela do mar nas cidades navio". Tomamos a liberdade de transcrevê-las

 

Marinheiro sem Mar
Sophia de Mello Breyner
Longe o marinheiro tem
Uma serena praia de mãos puras
Mas perdido caminha nas obscuras
Ruas da cidade sem piedade

Todas as cidades são navios
Carregados de cães uivando à lua
Carregados de anões e mortos frios
E ele vai baloiçando como um mastro
Aos seus ombros apoiam-se as esquinas
Vai sem aves nem ondas repentinas
Somente sombras nadam no seu rastro.
Nas confusas redes do seu pensamento
Prendem-se obscuras medusas
Morta cai a noite com o vento

E sobe por escadas escondidas
E vira por ruas sem nome
Pela própria escuridão conduzido
Com pupilas transparentes e de vidro

Vai nos contínuos corredores
Onde os polvos da sombra o estrangulam
E as luzes como peixes voadores
O alucinam.

Porque ele tem um navio mas sem mastros
Porque o mar secou
Porque o destino apagou
O seu nome dos astros

Porque o seu caminho foi perdido
O seu triunfo vendido
E ele tem as mãos pesadas de desastres

E é em vão que ele se ergue entre os sinais
Buscando a luz da madrugada pura
Chamando pelo vento que há nos cais

Nenhum mar lavará o nojo do seu rosto
As imagens são eternas e precisas
Em vão chamará pelo vento
Que a direito corre pelas praias lisas

Ele morrerá sem mar e sem navios
Sem rumo distante e sem mastros esguios
Morrerá entre paredes cinzentas
Pedaços de braços e restos de cabeças
Boiarão na penumbra das madrugadas lentas.

E ao Norte e ao Sul
E ao Leste e ao Poente
Os quatro cavalos do vento
Sacodem as suas crinas

E o espírito do mar pergunta:

 «Que é feito daquele
Para quem eu guardava um reino puro
De espaço e de vazio
De ondas brancas e fundas
E de verde frio?»

Ele não dormirá na areia lisa
Entre medusas, conchas e corais
Ele dormirá na podridão
E ao Norte e ao Sul
E ao Leste e ao Poente
Os quatro cavalos do vento
Exactos e transparentes
O esquecerão

Porque ele se perdeu do que era eterno
E separou o seu corpo da unidade
E se entregou ao tempo dividido
Das ruas sem piedade.

Os Amigos
Sophia de Mello Breyner

Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta a impetuosa
Juventude antiga -
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão

 

Pus o meu sonho num navio
Cecília Meireles (poetisa brasileira)

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

 

Noutro momento, Silva da Fonseca lembrou que o curso completa em 2023 os 60 anos (60!...) da entrada para a Marinha, justificando-se alguma celebração da efeméride, e propondo a constituição de um grupo de camaradas para definirem como se poderá concretizar, o que foi aceite.

Participaram: Bonina Moreno e esposa, Caldeira dos Santos e esposa, Cardoso Anaia e esposa, Costa e Silva e esposa, Costa Roque e esposa, Freire de Menezes, Marques de Sá e esposa, Matias Cortes e esposa, Moreira Pereira, Pereira Bento e esposa, Possidónio Roberto e esposa, Rebelo Duarte e esposa, Rebelo Marques, Reynaud da Silva, Silva da Fonseca e esposa, Silva e Pinho e esposa e Vasconcelos da Cunha e esposa, que gentilmente permitiram que se registasse o momento na fotografia que acima reproduzimos.

Um bom Natal e que o Ano Novo se componha apenas de momentos felizes.


quinta-feira, dezembro 01, 2022

Aniversários de elementos do CR: Dezembro 2022

Durante Novembro, a crer na comunicação social, a população mundial ultrapassou os oito mil milhões de pessoas. É interessante comparar este número com a população existente em 1900, e 2000, contabilizadas respectivamente em 1,65 e 6,15 milhares de milhões. 

As previsões levam a pensar que os 9 milhares de milhões serão ultrapassados um pouco antes de chegado o ano 2040 e que antes do fim do século XXI serão ultrapassados os 10 milhares de milhões, mas o crescimento terá cessado. 

De facto, a taxa de crescimento da população mundial está em queda e chegará o fim de décadas de rápido crescimento. Se olharmos para o número de menores de 15 anos, verifica-se que, sendo em 1950 cerca de 0,87 milhares de milhões são hoje à volta de 2 mil milhões, mas a taxa de crescimento está próxima do zero, prevendo-se que se torne negativa. A mesma tendência podemos descortinar para os menores de 25 anos, cujo número hoje é de cerca de 3,25 milhares de milhões, mas que, talvez antes de 2050, tenderá a descer.

E em Portugal? Os menores de 15 anos apresentam uma taxa de crescimento negativa desde o início dos anos 80, o que também acontece com os menores de 25 anos, e continuarão a tendência, possivelmente com uma taxa menos negativa. Os anos futuros trarão uma diminuição do peso da juventude, e isso não exclusivamente em Portugal.

Na Europa a população já está em diminuição; nas Américas prevê-se que tal venha a acontecer um pouco depois de meados deste século, assim como na Ásia; a África é a única região em que a população continuará a crescer até ao fim do século. Por volta dos anos 50 deste século, prevê-se que cerca de 54,5% da população do mundo viva na região da Ásia (55,1% em 1950), 25,6% na da África (9,1% em 1950), 7,3% na da Europa  (22% em 1950), 7% na da América do Norte (8,7% em 1950), na da América do Sul 5,6% (4,5% em 1950) e na da Oceania 0,6% (0,5% em 1950.

Segundo o Our World in Data, que temos vindo a seguir, é um momento extraordinário na história global. A taxa de crescimento da população global atingiu um máximo há meio século, e o número de nascimentos está, por sua vez, a caminho de a atingir. No passado, com uma elevada mortalidade infantil, apenas 2 crianças por mulher atingiam a idade adulta, gerando uma elevada resistência ao crescimento, e, no futuro, essa resistência será devida à baixa fertilidade. Curiosamente, 2 filhos parecem vir a ser a norma, tal como no passado.

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Em Novembro, a guerra na Ucrânia continuou o seu destrutivo percurso, mas felizmente, com a mediação diplomática da Turquia foi possível evitar a suspensão do acordo que tem permitido o escoamento de cereais ucranianos. As forças da Federação Russa retiraram da cidade de Kherson, cuja ocupação fora feita pouco tempo depois de ter sido desencadeada a invasão da Ucrânia. O movimento gerou boa quantidade de análises por parte de observadores e foi precedido de um pouco convincente filme noticioso onde são indicados os objectivos, entre outros preservar a prontidão para combate das unidades envolvidas, libertar algumas delas para empenho em outras zonas e diminuir o sofrimento da população. Quaisquer que tenham sido as razões, foi inegavelmente um momento vitorioso para a Ucrânia, mas que não interrompeu o ataque às infraestruturas ucranianas de produção e distribuição de energia.

A meados do mês dois mísseis de fabrico russo caíram no território da Polónia, causando a morte de duas pessoas, tendo provocado uma onda de preocupação por, numa primeira fase se ter admitido que seria um acto intencional por parte da Federação Russa, podendo levar ao envolvimento da NATO no conflito, o que não se veio a confirmar. Embora o míssil fosse de fabrico russo, o seu disparo foi da responsabilidade das forças ucranianas, durante acções de defesa anti-aérea, e tratou-se de um infeliz acidente.

oOo

Neste mês de Dezembro celebrarão o aniversário os seguintes membros deste curso, a quem enviamos um abraço de parabéns:

02DEZ (1943) Paulo Guilherme Marques Reynaud da Silva
03DEZ (1943) Gonçalo de Jesus Guerreiro Cordes Valente
04DEZ (1943) Alexandre Cabral de Noronha e Menezes
07DEZ (1944) Fernando Alberto dos Santos Lourenço
19DEZ (1943) Amadeu Cardoso Anaia
19DEZ (1944) Manuel Aníbal Coelho Rebelo Marques
25DEZ (1946) Henrique Alexandre Machado da Silva da Fonseca

Não podemos também deixar de lembrar, com saudade, o Rocha da Silva, nascido a 02DEZ1944. 

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A não esquecer

O tradicional almoço de Natal do CR está previsto para o dia 9 de Dezembro.

terça-feira, novembro 01, 2022

Aniversários de elementos do CR: Novembro 2022

Em Outubro não foi visível qualquer sinal de abrandamento na guerra na Ucrânia, tendo-se mantido afastado qualquer vislumbre de resolução do conflito, quer militar quer diplomaticamente, e, pelo contrário, assiste-se ao seu enraizamento. A comunicação social refere insistentemente uma próxima iniciativa das forças ucranianas, no início de Outubro uma importante ponte que liga a Crimeia ao continente foi alvo de um ataque que provocou extensos danos e as forças russas, por sua vez,  visaram objectivos da infraestrutura ucraniana de produção e distribuição de energia, tendo provocado danos substanciais. No fim do mês, a Federação Russa deu como suspenso o acordo que tem vindo a permitir o trânsito de navios mercantes  para escoamento de cereais, alegando um ataque às unidades navais em Sebastopol que comprometeria a segurança da navegação.

Ao longo do mês também se foram tornando mais habituais referências ao emprego de  armamento nuclear, enquanto as rupturas em dois gasodutos que ligam a Rússia e a Alemanha permaneceram sem que tenha vindo a público qualquer explicação mais fundada do que acusações mútuas ou especulações de observadores.

A inflação foi outra das estrelas do mês, já que parece já rondar os 10% e apresentar uma particular vontade para, também, se expandir e crescer, motivando a reacção do Banco Central Europeu, que aumentou a taxa de juro, motivando interessante discussão e dúvidas em torno da justeza da medida. Considerando vários factores, nos quais o preço da energia se apresenta em lugar destacado, não faltam opiniões que asseguram ser de esperar novos aumentos para breve.

Na Escolar Naval terminou o Concurso de Admissão de Cadetes, tendo os resultados sido publicados em 4 de Outubro, revelando que todas as vagas previstas foram preenchidas (num total de 45), distribuídas pela Classe de Marinha (21), de Fuzileiros (3), de Administração Naval (4), de Engenheiros Navais, ramo de Mecânica (5) e ramo de Armas e Electrónica (8) e Médicos Navais, sendo a nota mais elevada 176,0 e a menor 117,3. Saudamos todos os admitidos, e desejamos que satisfaçam não só as suas expectativas individuais, mas principalmente as da Marinha.

Neste mês de Novembro lembramos os aniversários dos seguintes elementos do CR:

12NOV (1944) Jorge Augusto Pires
14NOV (1945) Arménio Carvalho Carlos Fidalgo
27NOV (1945) Álvaro Amado Bordalo Ventura

A todos um abraço de parabéns.

Lembramos igualmente o Correia Graça, falecido em 5Nov2010, o Ferreira Neto, falecido em 14Nov2014 e o Rodrigues Maurício, nascido em 29Nov1943 e falecido a 21Nov1994.

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A não esquecer

O tradicional almoço de Natal do CR está previsto para o dia 9 de Dezembro, estando abertas as inscrições, que solicitamos sejam feitas até 2 de Dezembro.