sexta-feira, julho 31, 2020

Opiniões: Sobre a Estratégia Portuguesa para o Hidrogénio

A questão da disponibilidade energética para o desenvolvimento e melhoria de condições de vida das populações reveste-se de uma importância decisiva, hoje como no passado, mesmo longínquo. Foi posta em discussão, entre 22MAI e 06JUL, a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, na esteira da qual têm sido formuladas várias opiniões. Uma das mais notórias é o Manifesto para a recuperação do crescimento e estabilização económica pós-Covid19 (Tertúlia Energia), que está na origem do artigo do RMarques neste blogue . Foi, entretanto, também posto à discussão, entre 21JUL e 21AGO o documento  Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030.

Esta é mais uma opinião sobre o assunto.

O artigo mencionado dá uma visão sobre a problemática em questão e extrai algumas conclusões, sendo de leitura francamente útil. Conclui considerando que a inevitável descarbonização das actividades humanas encontra no hidrogénio uma solução, já que parece haver disponibilidade financeira e a crise pandémica poderá ser transformada numa oportunidade de mudança na vertente ambiental, que, no entanto, trará sacrifícios.

Conforme a Estratégia Nacional para o Hidrogénio, acima referido, Portugal assumiu o objectivo de atingir a Neutralidade Carbónica até 2050 (em 2016), defendendo-se a introdução de volumes crescentes de hidrogénio verde, substituindo os combustíveis fósseis. Defende-se igualmente que o hidrogénio permitirá reduzir os custos, aumentar a segurança de abastecimento, reduzir a dependência energética, reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, promover a eficiência e promover o crescimento do país. Este denso documento expõe diversos aspectos relacionados com a introdução do hidrogénio, defende a solução como oportunidade a aproveitar, e produz estudos detalhando essa oportunidade, as cadeias de valor do hidrogénio, financiamentos e cenários, tratando-se de matéria obviamente complicada cuja avaliação exige qualificação, experiência, dados fiáveis.

De acordo com o Manifesto, também acima referido, a economia portuguesa encontra-se estagnada há duas décadas e a crise pandémica agravou a situação, podendo ainda vir a agravá-la mais do que se prevê, sendo o baixo crescimento económico o problema de base. Os recursos que existam devem ser empregues a resolver esse problema. Considerando que a política energética é fulcral, advoga como fundamental a redução dos custos de produção, o que não acontecerá com a modificação para a estratégia para o hidrogénio. Esta traria a introdução de tecnologias imaturas ou mesmo incipientes, apontando para custos elevados e desproporcionados, preços finais acrescidos, períodos de retorno extensos e incertezas tecnológicas.

O documento que parece mais realista é o Manifesto. A crise pandémica, que em geral é considerada de muito grande extensão e profundidade quer em Portugal quer na UE quer no resto do mundo, encontra-se ainda em desenvolvimento, gerando riscos de alteração das previsões em extensão e forma ainda desconhecida. Não reconsiderar a estratégia para a energia nesta conjuntura parece imprudente, sobetudo à luz da magnitude dos períodos envolvidos, da importância da energia, do valor dos investimentos necessários e do peso relativo da pegada carbónica do país no contexto quer europeu quer mundial.

Há, ainda, uma muito grande probabilidade de que os valores financeiros insertos na Estratégia venham a revelar-se errados, mesmo que pudéssemos esquecer a crise pandémica, o que não seria caso único, sobretudo em períodos longos, fazendo temer pela sustentabilidade do projecto. A Estratégia (Financiamento e Mecanismos de Apoio) aborda a magnitude das consequências financeiras implicadas pela transição para o hidrogénio, que parecem extensas, implicar crescimento e mesmo inovação. Elenca, igualmente, vários instrumentos financeiros da UE e nacionais, que poderão estar disponíveis, o que mostra que significativa quantidade de decisões não será nacional e de algum modo indicia fragilidade.

É muito provável que a transição para o hidrogénio seja acompanhada por um acréscimo de custos da energia, já que os recursos investidos têm de ser de alguma forma pagos – a energia verde será mais cara e a tecnologia do hidrogénio está ainda imatura. Como consequência é justo temer que os custos da energia quer para as empresas quer para os particulares não venham a ser minimizados, o que é de importância crucial na recuperação, por afectar a competitividade. Não contribuindo o hidrogénio para as exportações, a balança de pagamentos nacional deverá sofrer.

Hoje mesmo, o INE publicou estatísticas que mostram uma queda do PIB na ordem dos 16%, numa UE que ronda os 15%, o que não pode deixar de se considerar uma péssima notícia, apesar de esperada. As consequências sociais não vão faltar e sacrifícios também não. Estaremos preparados para acrescentar a estes os que são consequência da Estratégia?

De uma forma sucinta, o que daqui se vê é um risco não aceitável na sobreposição da estratégia para o hidrogénio, como concebida, com um período de recuperação que será longo, difícil, imprevisível e necessário. Estaremos preparados para considerar a crise pandémica ‘uma oportunidade’? Para o Manifesto a política energética ‘tem sido apenas um subproduto das políticas ambientais e climáticas’ e com esta estratégia continuará a sê-lo. Virá a ser a própria recuperação, também, um subproduto?

Não se pode ignorar o ambiente, naturalmente. Ao longo da desejada descarbonização é certo que haverá insucessos, erros, dúvidas e outros obstáculos, mas é absolutamente necessário que sejam sempre recuperáveis, de dimensão aceitável. Caso contrário podemos causar ainda maiores danos do que os previstos ou atrasos irremediáveis no casamento da energia com o ambiente. Sejamos prudentes e realistas.

quinta-feira, julho 30, 2020

Aniversários de elementos do CR: Agosto de 2020

Completam mais um ano neste mês de Agosto de 2019 os seguintes camaradas do CR:

AUGUSTO JORGE DOS SANTOS LACERDA FERREIRA 01AGO1943
ANTÓNIO CARLOS REBELO DUARTE 03AGO1946
JOÃO CARLOS PINA CORREIA MARQUES 11AGO1945
JOSÉ ARMANDO RODRIGUES LEITE 16AGO1943
ANTÓNIO MARIA CATARINO DA SILVA 25AGO1944

A todos um abraço de parabéns.

Neste mês recordamos, muito especialmente, no dia 17 o Varela Castelo (falecido no Hospital da Marinha em 1976*), no dia 28 o Araújo Baptista (falecido naquela data em 2008) e o Calhau Feitoria no dia 31 (data do terrível acidente que o vitimou em 1999).

Nota*: Cujo 1º filho, também José Manuel, nasceu no dia 24AGO1976 e ele não teve oportunidade de conhecer, mas ao qual enviamos por esse dia 24 os nossos parabéns.

terça-feira, julho 28, 2020

Opiniões: Sobre a Estratégia Portuguesa para o Hidrogénio, do CR Rebelo Marques

Camaradas e Amigos
Foi-me lançado o desafio, no grupo WatsApp do CR, para dar a minha opinião sobre a novel Estratégia Portuguesa para o Hidrogénio, que está agora na berra.
É apenas este link, e funciona... Ver aqui.
 Abraços
Manel RM

segunda-feira, julho 27, 2020

CR's em actividade: HAFonseca em 20JUL2020 no Estoril Political Forum 2020


O Estoril Political Forum 2020, intitulado “New Authoritarian Challenges to Liberal Democracy” terá lugar nos dias 19-21 de Outubro no Hotel Palácio do Estoril.

Consta no Programa: Dia 20JUL2020 19:30-20:00 – GARDEN COCKTAIL AND BOOK PRESENTATION “COMMANDING AT SEA”
Host: João Carlos Espada (Director, IEP-UCP, Lisbon)
Speakers: Alexandre da Fonseca* (Admiral, Portuguese Navy); Orlando Temes de Oliveira* (Commander, Portuguese Navy).

segunda-feira, julho 06, 2020

CR's em (fim de) actividade: ACRebeloDuarte no IDJC

Mensagem de despedida do IDJC do Alm. António Rebelo Duarte

Caríssimos associados, convidados e palestrantes do Instituto Dom João de Castro (IDJC): 

Permitam-me que vos informe da história e destino próximos do IDJC.
No passado dia 30JUN2020 realizou-se a A-G do Instituto, que elegeu os seus novos órgãos sociais.
Este vosso amigo e admirador, deixou, a seu pedido e ao fim de quase uma dúzia de anos, de presidir à sua direcção, “entregando o quarto” ao Prof. José Fontes Castello Branco, que conduzirá a navegação durante o próximo triénio, por mares que conhece practicamente desde os tempos da fundação do Instituto.
Por isso senti a necessidade de vos pôr ao corrente da situação, mas principalmente para vos transmitir o meu sentido agradecimento e profunda gratidão pelo apoio  e  incentivo recebidos, ao longo do exercício, com a vossa presença e companhia nas nossas actividades e sessões regulares, destacando em especial as muitas dezenas de conferencistas, cujas palestras e intervenções muito iluminaram a escurecida cave (para melhor observação das ajudas audiovisuais …) das nossas instalações, além de nos disponibilizarem os respectivos textos e comunicações que deram vida e igual brilho aos “Roteiros” (o boletim anual do IDJC), beneficiários também da colaboração de vários autores através de “ofertados” ensaios e artigos que nos permitiram rechear com qualidade as diversas edições.
Foi uma honra e privilégio ter podido oferecer as minhas magras capacidades a uma instituição tão prestigiada e inovadora quanto a ideia e vontade que a inspiraram, por iniciativa e acção dos seus fundadores, o empreendedor Padre Joaquim Aguiar, que infelizmente já não está connosco, e o Prof. Adriano Moreira, insigne figura de académico, escritor, político e conselheiro de Estado, projectando-o como referência moral, cívica e patriótica, e a quem a Instituição Militar muito deve pelo grande apreço, respeito e colaboração que sempre lhe dedicou.
O legado, como imaginarão, foi tremendo e deveras responsabilizante para mim, mas também gostoso no intento e esforço de lhe estar à altura. Parafraseando o nosso grande navegador Bartolomeu Dias, tentei, tentei … Foi uma experiência pessoal que encheu boa parte da minha “aposentação” e que indubitavelmente guardarei no baú das minhas memórias.
Também por isso vos agradeço. OBRIGADO. BEM HAJAM! 
António Rebelo Duarte

domingo, julho 05, 2020

Revista de Marinha: Reconhecimento público


Prémio Navigare Mare
Revista de Marinha
A Revista de Marinha é uma publicação que tem no mar o seu tema central. Com publicação ininterrupta desde 1937, é hoje uma das mais antigas revistas portuguesas em circulação. A qualidade e relevância da informação constante do conteúdo editorial, bem como a diversidade de autores e temáticas dos artigos publicados, fazem com que, ao longo dos mais de 80 anos da sua existência, a Revista de Marinha informe a comunidade marítima nacional e, ao mesmo tempo, provoque a construção de cooperações entre líderes relacionados com a atividade marítima.

Nota da Redação deste Blogue: Ao nosso camarada CR HAFonseca Director / Editor e Proprietário da RM os nossos parabéns.

quinta-feira, julho 02, 2020

Desafios Culturais (41)

De grau mais difícil, este forte da orla marítima continental portuguesa, aspira a ser identificado:

Quem se atreve?

Foto de 25JUN2020 de JPVB

Desafios culturais (40)

No Sistema Nacional de sinalização e assinalamento marítimo em Portugal, contamos com interessantes edifícios. Este será um deles. De qual se trata?
Será que as continuadas e constantes faltas de respostas a estes desafios revelam desinteresse...ou (o que está fora de causa) ignorância?

Foto de JPVB de 25JUN2020