
Nesse acanhado espaço, sem luz natural e com pouca ventilação, onde predominavam os aromas da mais refinada fermentação intestinal, jaziam imóveis e irreconhecíveis os corpos de bastantes camaradas nossos, que só davam sinais de vida quando de hora a hora acordavam para chamar pelo Gregório, que teimava em nunca aparecer.
Recordo-me de uma banana, trazida piedosamente para alimento de um pobre necessitado, parece-me que era o MP, a qual rapidamente se transformou do estado sólido em estado líquido, não fosse aquele nosso amigo um dos mestres do regorgitar, sendo o produto lançado em jacto para o chão, juntando-se a todos os outros resíduos sólidos e líquidos, feijão encarnado, espinhas de carapau, ossos de frango, que jaziam desde há longos dias naquele compartimento do navio.
2 comentários:
Fizeste muito bem em trazer esta "memória" à colação*, porque nessa agradável coberta, o meu beliche era um dos dois que ficava sobre a escotilha dum paiol aonde várias vezes ao dia ía um marinheiro L trabalhar e onde se armazenava ...(adivinhem)... bacalhau.
* Ver Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenação José Pedro Machado, volume/tomo II pp 168
Boa.É disto que eu gosto.O nosso passado colectivo fortalece a nossa amizade e ajuda-nos a viver o presente.Recordo que um vomitante crónico, o BV, se deitava fardado no beliche.Várias vezes apelidado de "porcalhão", argumentava que segundo a Convenção de Genebra se fosse capturado pelo inimigo à paisana era considerado espião e passivel de condenação à morte,por outro lado se estivesse fardado era um prisioneiro de guerra com os inerentes direitos que a dita Convenção lhe reconhecia.Por esse facto dormia fardado.Como nós éramos.B.Moreno ,Obrigado.
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