Ausente por umas horas da sede do blogue, tinha no regresso ao trabalho uma mensagem do nosso correspondente em Brejos de Azeitão, localidade da margem sul do Tejo, com o seguinte teor:
"Para não dar nas vistas e confirmar evento (comprovativo para que depois me paguem) que passo a relatar, mantive-me mergulhado na panela de arroz de lampreia da mesa do lado cerca de noventa minutos, tendo tido necessidade de chamar a atenção dos 4 elementos a fotografar levantando duas vezes a tampa.
Dirigiram-se cerca das 12H30 locais ao Restaurante Pescador para mesa previamente marcada por dois oficiais superiores fuzileiros (Castro e PPona) residentes nas proximidades, quatro vossos camaradas CR, um dos quais residente desde data recente naquela vila. Depois de terem atravessado a estrada junta, vagarosamente fora de qualquer passadeira (inexistente) provocando a paragem do trânsito, um deles, que identifiquei como ex-comandante dum tal corpo de fuzileiros, empunhava o que de início e à distância me pareceu uma arma de defesa pessoal, mas depois confirmei tratar-se duma bengala. Mantiveram-se cerca de duas horas no local em animada conversa e boa disposição, utilizando um deles um vernáculo audível nas proximidades onde apenas registei a presença duma senhora, felizmente surda. Na mesa, em linha com uma opção corrente, apercebi-me de vários linguados, todos fritos com arroz de coentros, tudo regado com o tinto da casa engarrafado. Depois das sobremesas, que dois recusaram sem qualquer justificação analítica, retiraram-se no mesmo ritmo, um tanto rosados pelo Sol radioso da tarde. Seguindo-os discretamente, apurei que foram deixar o camarada a casa, na Rua Amélia Rey Colaço, onde uma jovem que me disseram ser sua nora e arquiteta, o aguardava. Discretamente ainda me mantive mais uns momentos no local, reparando que se despediam efusivamente, mas olhando insistentemente para o chão, esperando talvez ver crescer a relva de que me informei só há dois dias ter sido plantada. No regresso ao local donde estou a enviar este RELIM, encontrei um carteiro meu conhecido que me disse ter sido graças a ele que aqueles senhores encontraram a casa do tal comandante que sabe chamar-se JLAlmeidaViegas."
"Para não dar nas vistas e confirmar evento (comprovativo para que depois me paguem) que passo a relatar, mantive-me mergulhado na panela de arroz de lampreia da mesa do lado cerca de noventa minutos, tendo tido necessidade de chamar a atenção dos 4 elementos a fotografar levantando duas vezes a tampa.

4 comentários:
Relata o "reporter" que um dos presentes utilizava "um vernáculo".......
Ora a classificação morfossintática de "vernáculo" é : Adjectivo, masculino singular. e significa:Genuíno, correcto e puro. Que mantem a correcção e pureza no falar e no escrever.
Assim, tendo, após aturado esforço de memória, reconhecido o autor da utilização da linguagem vernácula, congratulo-me com o facto de o mesmo ter sido o unico dos convivas a usar tal subida e honrada forma de expressão, simbolo dos intelectos superiores e da suprema idiossincrasia lusitana.
Abemdanaçongue.(isto não é vernáculo, é tripeirice)
Já reencaminhei o comentário para o correspondente. Ele contrargumentou com considerandos vários sobre a pureza, mas cortei-lhe a palavra. Será razão de despedimento para já, ou aguardamos as normas do Teixeira dos Santos?
1.Primeira questão, que solicito ao ASP esclaressa (não refilem, está conforme com o novo acordo hortográfico):"Morfossintática", deriva, ou não, do verbo "Morfar"? Se sim, acho muito bem aplicado.
2. O ASP parece o João Gabriel - sempre a pensar nos tripeiros...percebo isso, mas lembro que a inveja e o despeito são coisas muito feias.
3. É só para dizer que foi muito reconfortante para mim saber do ZViegas. Espero que todos possamos contribuir para que ele seja o mais assíduo possível nas comemorações do CR50.
Amigo FSL começo a ficar preocupado com o meu caracter, que afinal, ao fim de 65 anos, desconhecia por completo.
Primeiro, sou acusado de ter "ódio", e agora levo com a "inveja" e o "despeito".
Vou já marcar consulta no psicanalista, e de seguida rumo para um retiro espiritual mortificador, para ver se me salvo.
Estou feito.
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