domingo, julho 09, 2023

Os convívios do CR - 7JUL2023


Decorre actualmente, o concurso para admissão de cadetes na Escola Naval. Até 25 deste quente mês de Julho, quem estiver nas condições exigidas e o desejar, pode concorrer e vir a ingressar nos Quadros Permanentes da Marinha. É algo que reflecte a  centenária sabedoria de que para existir uma Marinha são necessárias pessoas devidamente treinadas, conhecedoras e experientes e que, para isso, é obrigatório que todos os anos se recrutem aqueles que irão desempenhar as missões de que o país virá a carecer. Como será este país dentro de 60 anos, quando os que agora irão ser admitidos olharem para trás no tempo?

É impossível, naturalmente, sabê-lo. Para o CR, precisamente agora, completam-se 60 anos que o mesmo processo (apesar de variações devidas à passagem do tempo) foi seguido. Convido-vos a um olhar no passado, a (re)ver aquele grupo cheio de jovens (como hoje soi dizer-se) que, com poucas excepções, não se conheciam e ignoravam em geral o que os esperava, do que seriam capazes, como se relacionariam entre si, qual a dimensão dos problemas que teriam de enfrentar, onde e quando. Era o futuro, onde as esperanças necessariamente viviam, os desgostos estavam emboscados, as desilusões sempre prontas a mostrar-se e os sucessos sempre dispendiosos, exigindo mais esforço, persistência ou coragem e aquela pitada de sorte, em tudo necessária, mas que não se apresenta sem que por ela algo se faça.

Sessenta anos decorridos sabemos hoje que aqueles que agora concorrem irão enfrentar na essência o mesmo. Sabemos que não haverá duas vidas (profissionais ou pessoais) idênticas, que o sucesso será difícil, que a decisão se apresentará solitária, que os contratempos nunca desaparecerão e que a tal sorte falhará.  Mas, se calhar, daqui a 60 anos e se, de alguma forma puderem ter a sorte do CR, poderão encontrar-se e sentir o mesmo conforto e felicidade, temperados pela tristeza (imposta pela lei da vida) dos que não puderam estar presentes e sobretudo pelos que já faleceram, que foi palpável no convívio do curso que teve lugar no dia 7 de Julho: 'um banho de CR que só pode fazer bem', citando um camarada.

Estiveram presentes: Bonina Moreno, Caldeira dos Santos, Cardoso Anaia, Carlos Fidalgo, Castro e Silva, Cordes Valente, Costa e Silva, Costa Roque, Freire de Menezes, Matias Cortes, Moreira Pereira, Possidónio Roberto, Rebelo Duarte, Rebelo Marques, Reynaud da Silva, Saldanha Carreira, Santos Lourenço, Serras Simões, Silva da Fonseca, Silva e Pinho, Vasconcelos Carrasco e Vasconcelos da Cunha. 

Vejam a 'foto de família' tradicional acima e um pequeno filme gentilmente cedido pelo Possidónio Roberto, que ilustra alguns momentos.




sábado, julho 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Julho 2023

Neste último mês de Junho a guerra na Ucrânia completou 16 meses, prosseguindo a destruição e a perda de vidas, não havendo qualquer vislumbre de uma solução que não passe pela via da força das armas. Forte, por um lado com base no apoio dos países da NATO e da União Europeia, e considerando os efeitos das sanções aplicadas à Federação Russa, os dirigente ucranianos não deixaram de referir a iminência de uma contra-ofensiva, como processo que levará a reconquista do território ocupado pelos invasores. A ofensiva parece ter-se iniciado no mês findo, mas nada do que vem a público sobre o desenvolvimento de operações pode ser tomado como certo no contexto actual. Pouco tempo antes da comunicação social ter anunciado o início da contra ofensiva, uma misteriosa explosão danificou gravemente a barragem de Kakhovka, importante infraestrutura a pouco mais de 200 km a jusante de Zaporíjia (perto da qual se situa a maior central nuclear da Europa) e uns 60 km a montante de Kherson, o que causou o alagamento de vastas zonas, com prejuízos em larga escala para as populações. A explosão, dada como sabotagem, não foi reivindicada por ninguém, acusando-se mutuamente a Ucrânia e a Rússia pelo acontecido.

Mais para o fim de Junho, o grupo Wagner, unidade militar não integrada nas Forças Armadas da Federação Russa (alguns designam-no por ‘para-militar’, outros por ‘mercenário’, outros ainda por ‘miliciano’ ou até ‘privado’), mas que opera em estreita ligação com elas, por razões possivelmente ainda desconhecidas, decide contestar as autoridades russas, lançando uma coluna armada em direcção a Moscovo numa rebelião e ameaça frontal. No entanto, 24 horas depois, a coluna recebe ordens para retroceder, na sequência do que a comunicação social descreveu como intensas negociações entre a chefia do grupo Wagner e o Presidente da Federação Russa, com intermediação do Presidente da Bielorrússia. Atingida, por alguma forma, uma plataforma de entendimento, resta agora perceber o acontecimento, um novo mistério a acrescentar à sabotagem da barragem e dos gasodutos Nord Stream.

Noutras paragens, no Mediterrâneo, ocorreu um dramático naufrágio de um navio pesqueiro atulhado com umas estimadas 750 pessoas migrantes que pretendiam chegar à Itália, tendo as operações de socorro apenas conseguido resgatar com vida 104. Foi considerado pela comissária da União Europeia “a pior tragédia de sempre no Mediterrâneo”, e uma “tragédia inconcebível” pela missão grega do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, merecendo ainda uma intervenção do Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, que se mostrou "horrorizado".

Por outro lado, em pleno Atlântico, nas coordenadas onde jazem os restos do famoso RMS “Titanic”, que se afundou em Abril de 1912, 5 pessoas, praticando turismo radical, de altíssimo custo e em local - o mar, reconhecidamente perigoso - aninharam-se num veículo submersível com 6,7 m de comprimento 2,8 m de altura e 2,5 m de largura, para um mergulho até aos 3800 m de profundidade, onde jazem os restos daquele navio, cujo naufrágio causou um número incerto de mortos, mas superior a 1500. Se o mar é um local perigoso, a grandes profundidades esse perigo torna-se muito maior, e, infelizmente, desta vez correu mal. Perdidas as comunicações e dado o alarme, uma enorme operação de socorro foi posta em marcha, movimentando sofisticados e numerosos meios, tendo-se concluído o inevitável, a morte dos 5 passageiros.

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Para Julho, prevê-se a realização de um almoço-convívio do CR no dia 7, tendo os pormenores já sido difundidos por correio electrónico. Não se esqueçam de se inscrever.

Por completarem durante este mês de Julho mais um ano, enviamos os nossos parabéns aos camaradas

07JUL(1944) Filipe Horácio Pereira Macedo
09JUL(1944) Humberto Ramos da Costa Roque
18JUL(1942) António José Correa Possidónio Roberto
 
Recordamos também, com saudade, nas datas dos respectivos nascimentos, camaradas que já não estão entre nós: 
 
Em 03JUL(1945) o Mário Alberto Dias Monteiro dos Santos, em
09JUL(1945) José Manuel Belo Varela Castelo em 25JUL(1945) o João Furtado de Azevedo Coutinho e em 29JUL(1944) o António Manuel Varela Marques de Sá.


quarta-feira, junho 07, 2023

Representação do CR apresentou cumprimentos ao CEMA


Foi em setembro de 1963 que nós, os elementos do Curso que teve por patrono Miguel Corte Real, entrámos formalmente pela primeira vez na Escola Naval; tínhamos sido admitidos após as diversas provas de seleção e apresentavamo-nos para iniciar o primeiro ano! Alguns passaram para o curso seguinte, outros reprovaram e saíram da Escola Naval e recebemos um importante reforço do curso anterior. E em janeiro de 1967, terminado um curso intensivo que incluiu uma viagem de instrução ao Brasil, começamos a nossa carreira na Marinha, uns por alguns anos apenas, outros, talvez a maioria, até à passagem à reserva e à reforma. Alguns, infelizmente muitos, já partiram, já não estão entre nós; para eles a nossa saudade, a nossa recordação amiga, um até sempre!

Fará em setembro 60 anos, que a nossa aventura começou; importa assinalar esta efeméride, de uma vida ativa que foi do Estado Novo, da Primavera Marcelista à III República, que incluiu um período significativo da guerra colonial ou guerra de África e depois a “guerra fria” entre os blocos ocidental e o soviético, entre a NATO e o Pacto de Varsóvia.

As comemorações dos 60 anos do CR incluem a apresentação de cumprimentos ao Almirante CEMA, uma conferência no Alfeite (CITTAN) sobre a Marinha do presente e do futuro, uma romagem de saudade à Escola Naval, a nossa alma mater, e um almoço de confraternização na Messe de Cascais com as nossas mulheres, que connosco tem vivido a aventura das nossas vidas … e nos tem aturado ao longo de dezenas de anos.

No passado dia 2 de junho, 6ª feira, às 16h30, o Almirante Henrique Gouveia e Melo, Chefe do Estado Maior da Armada, recebeu em audiência uma deputação do curso Miguel Corte Real que lhe apresentou cumprimentos. Era constituída pelo António Vasconcelos da Cunha, que terminou o curso como primeiro classificado, o “penico” na nossa gíria marinheira do Alfeite, de origem engenheiro maquinista naval, dois representantes da classe de Marinha, António Carlos Rebelo Duarte e Henrique Alexandre da Fonseca, e um representante da classe de administração naval, Amadeu Cardoso Anaia, e como na altura referimos ao CEMA, representante também dos “nossos” fuzileiros.

No decurso desta audiência o CEMA aproveitou a oportunidade para nos falar da sua visão para a Marinha, nas suas diversas facetas, do pessoal ao material, que ilustrou mesmo com uma maquette do chamado “navio porta drones” que se encontrava, destacada, no seu gabinete.

As comemorações dos 60 anos do CR já se iniciaram, e começaram da melhor forma!

H. S. Fonseca

Foto gentilmente cedida pelo Gabinete  do
Chefe do Estado-Maior da Armada e
Autoridade Marítima Nacional

quinta-feira, junho 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Junho 2023

A inteligência artificial (IA) adquiriu nos últimos meses uma visibilidade inusitada, na sequência de ter sido disponibilizado publicamente, em Março de 2023, o serviço ChatGPT, uma interface que permite aceder a um sistema de IA desenvolvido pela OpenAI (Nota 1) designado por GPT-4 (Generative Pre-trained Transformer). O GPT-4 é um modelo da família dos ‘grandes modelos de linguagem’ (LLMs, Large Language Models, Nota 2), sendo o quarto da série desenvolvida pela OpenAI que o refere como sendo um grande modelo multimodal, aceitando entradas a partir de imagem ou de texto e produzindo saídas de texto que, apesar de não ser tão capaz como os humanos em muitas situações reais, exibe um desempenho similar ao humano em várias actividades profissionais e académicas. Reconhece, também, várias limitações (por exemplo desorientar-se e produzir disparates ou cair em erros de raciocínio) e apontando para que seja usado grande cuidado na aceitação das respostas, particularmente em contextos de elevada responsabilidade (Nota 3).

Estamos perante uma investigação (IA, aqui entendida como um ramo da ciência da computação que se ocupa de sistemas baseados no conhecimento da inteligência humana) muito avançada e exigente qualquer que seja o ponto de vista que tomemos, por exemplo nos recursos humanos (número, especialidades, competência) na capacidade de computação, na energia necessária, no financiamento ou no período de desenvolvimento. É portanto investigação só possível de levar a cabo por organizações muito poderosas.

De forma talvez demasiado simplificada, poderíamos referir que o sistema é criado alimentando-o com dados em absurdas quantidades que são filtrados, aquecidos e martelados pelos algoritmos até confessarem tudo o que contêm, e após condensação obtém-se os fluidos informativos considerados adequados e nas proporções devidas. Passam assim a informação, mas bruta, contendo impurezas (coisas tóxicas como preconceitos, insultos, discriminações, termos geralmente prejudiciais, e outras). Há agora a fase de centrifugar o produto, ou “alinhar” a informação com os humanos, de modo a expurgar tanto quanto possível os elementos impuros, o que é feito usando humanos verdadeiros, num processo recursivo de várias fases até que sejam atingidos os objectivos pretendidos.

Disponibilizado, o produto foi recebido com sucesso e rapidez surpreendente motivando avaliações que concordam tratar-se de um sistema que representa um avanço notável na investigação da IA, e recolhendo opiniões de que poderá revolucionar a vida das pessoas, afectar milhões de empregos, proporcionar avanços significativos em áreas como na medicina, no ensino, na gestão, nos sistemas monetários, para citar alguns exemplos. Mas também há quem considere que, mostrando os últimos tempos os laboratórios de IA empenhados numa competição na procura de mais poderosos sistemas, é de prever a melhoria das capacidades e características de tal alcance que existe um risco profundo para as sociedades.

O Future of Life Institute, organização que não tens fins lucrativos, considera que a AI pode constituir um risco para a humanidade, tendo publicado em Março de 2023 uma carta aberta onde defende uma pausa de 6 meses no desenvolvimento dos sistemas IA mais poderosos do que o GPT-4 (Nota 4), porque “A IA avançada pode representar uma modificação profunda na história da vida na Terra, devendo ser planeada e gerida com cuidados e recursos mensuráveis, o que não está a acontecer, tendo os últimos meses mostrado os laboratórios de IA envolvidos numa corrida para obter ainda mais poderosos sistemas, que ninguém - nem mesmo os criadores -  consegue, fiavelmente, compreender, prever ou controlar”.

Refira-se que este instituto, adiantou, em 2017 (“Beneficial AI 2017 conference”) o que designou por “AI Principles”, com o intuito de orientar o desenvolvimento da IA de modo a que seja benéfico para toda a humanidade e que “permita o usufruto das espantosas oportunidades que pode oferecer para ajudar e dar mais poder às pessoas nas décadas e séculos vindouros” (Nota 5). Os princípios são 29, divididos em 3 grupos (Questões de Investigação, Valores e Ética e Questões de Longo Prazo), e, segundo afirma o Future of Life Institute, recolheram mais de 5700 assinaturas de investigadores ou outros apoiantes. De notar que a OpenAI é um deles. 

O Future Life Institute também divulgou, em Abril de 2023, um documento onde propõe aos decisores políticos medidas para enfrentar os riscos ligados a sistemas de IA avançados, demonstrando assim que considera ser necessária a regulamentação da IA, e tocando áreas tais como relativas a auditorias, certificação. a computação, a segurança, a normalização ou a responsabilidade por danos (Nota 6).

Um número elevado das opiniões produzidas reconhece a importância que a IA terá no futuro, abrindo oportunidades benéficas para a humanidade. Há, também, e essa é, por exemplo, a posição do Future of Life Institute, quem opine que estas tecnologias,  se aplicadas em grandes escalas têm o poder de afectar a vida na Terra, e, mesmo de a destruir, considerando que o seu desenvolvimento a par com o que se verifica em outras áreas, as coloca numa era nova, em que a vida e a inteligência poderão vir a ser desenhadas e geridas por si próprias, sobrepondo-se à evolução. Mesmo não indo tão longe, outras opiniões expressam receios, por exemplo centrados na distorção da informação e na redução dos humanos a um papel secundário numa sociedade do futuro. Teme-se modificações com efeito a longo prazo profundas e perigosas.

Na verdade não deixam de surgir dúvidas quanto a perigos futuros ao considerar as objecções à IA que vão sendo conhecidas. De entre elas, atrevemo-nos a salientar três aspectos, sendo o primeiro o poderio tecnológico necessário para criar sistemas de grande escala de IA, o que poderia significar a concentração do poder em um número restrito de mãos (ou talvez cérebros humanos e artificiais) que ninguém elegeu, podendo afastar as sociedades dos valores democráticos.

O segundo, a questão do que acima designámos por “alinhar a informação com os humanos”, dado que, apesar de ser compreensível, esse referencial não é independente: por um lado auto credencia-se para definir os “elementos tóxicos”, por outro poderá tender a mantê-los ou, até, poderá “orientar” os conceitos, contrariando a evolução normal das sociedades, dado que os conceitos evoluem ao longo do tempo quanto à toxicidade. Se se tiver em conta que “Conhecimento é Poder”, não é difícil admitir a possibilidade de uma concentração ainda maior, bem como a redução dos humanos a uma condição de autómatos.

O terceiro, a pressuposição relativa a limites superiores da capacidade da futura IA. De facto, assistimos já a tantos avanços rápidos e espetaculares das tecnologias da informação e comunicação, que não parece prudente pressupor seja o que for. E, já que “o que pode correr mal correrá de certeza e na pior altura”, parece imprescindível a regulamentação da IA, um esforço que se antecipa complicado, e longo (e também sujeito à mesma lei). Na realidade, por exemplo na União Europeia, já está em curso, esperando-se que o designado “European AI Act”, venha a entrar em vigor nos próximos dois anos. É também significativo que o G7, na sua reunião do mês passado, tenha decidido a criação de um grupo de trabalho para estudar o problema e apontar soluções.

Seja como for, quando os primeiros humanos perceberam que poderiam usar o poder do fogo em seu benefício, ou que havia objectos que flutuavam sobre as águas, ou, ainda, inventaram a roda, estavam longe de imaginar como esses benéficos avanços iriam influenciar o futuro. A aventura não parece ter chegado ao fim...

Notas:

(1) https://openai.com/blog/planning-for-agi-and-beyond
(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/GPT-4
(3) https://openai.com/research/gpt-4
(4) https://futureoflife.org/open-letter/pause-giant-ai-experiments/
(5) https://futureoflife.org/open-letter/ai-principles/
(6) https://futureoflife.org/wp-content/uploads/2023/04/FLI_Policymaking_In_The_Pause.pdf

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Este ano o Dia da Marinha decorreu no Porto, realizando-se um conjunto de actividades e cerimónias que decorreram entre 18 e 21 de Maio, com a presença de vários navios, entre os quais a “Sagres”, que, como sempre, se destacou pela sua beleza. A cerimónia militar foi presidida pela Ministra da Defesa Nacional.

A Escola Naval publicou, a 22 de Maio, o Edital para o Concurso de Admissão de Cadetes, que decorrerá entre 27 deste mês de Junho e 25 de Julho próximo. Pode ser consultado neste endereço:  Edital EN.

Maio não terminou sem que tivéssemos que lamentar o falecimento de dois Amigos e Camaradas deste curso, o Correia Marques (a 19) e o Marques de Sá (a 26). Renovamos aqui as nossas sinceras condolências a suas Famílias e os seus Amigos e Camaradas.

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Neste mês de Junho os seguintes elementos deste curso celebrarão mais um aniversário:

07JUN (1945) Jorge Manuel dos Prazeres Escalço Valadas
08JUN (1945) Rui Coelho Cabrita
19JUN (1945) Luís António Proença Maia
23JUN (1943) Carlos Manuel de Vasconcelos Carrasco
27JUN (1943) José Manuel Narciso de Sousa Henriques
28JUN (1944) Fernando Moreira Pereira
30JUN (1945) Victor Manuel Bento e Lopo Cajarabille

A todos um grande abraço de parabéns!

Recordamos também neste mês:

O Luís Alberto Cristiano d'Oliveira, nascido em 06JUN (1943) e falecido em 27JUN (2012) e o Lino António da Conceição Pereira Machado, nascido em 06JUN (1943).


sexta-feira, maio 26, 2023

António Manuel Varela Marques de Sá

É com muito pesar que damos a conhecer o falecimento, ocorrido hoje de manhã, do nosso Amigo e Camarada Marques de Sá.

Manifestamos sentidas condolências à sua Família, Amigos e Camaradas.

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Chega-nos informação de que o velório do terá lugar em 29 de Maio, segunda-feira, a partir das 1600, na Igreja de N. S. de Fátima, Lisboa, e de que no dia seguinte, 30 de Maio, pelas 1000, terá lugar a celebração da palavra na mesma Igreja, saindo o funeral pelas 1015 para o Cemitério dos Olivais.


sexta-feira, maio 19, 2023

João Carlos Pina Correia Marques

 

É com muito pesar que damos a conhecer o falecimento, hoje ocorrido, do nosso Camarada e amigo Correia Marques, de cuja companhia sentiremos muita falta.

Sentidas condolências à sua Família, Amigos e Camaradas.

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Chega-nos a informação de que o corpo do nosso Camarada estará na Capela do Cemitério de Alcabideche (Cascais) a partir das 11h30m da próxima terça-feira, 23MAI. Terá lugar uma Encomendação pelas 15h00, a que se seguirá a sua cremação no mesmo cemitério.


 

quarta-feira, maio 03, 2023

CR: 60 anos

Previsto para o próximo 1JUN, às 1500, terá lugar o início dos eventos que marcarão o sexagésimo ano de ingresso na Escola Naval deste Curso, materializado pela apresentação de cumprimentos ao Chefe do Estado Maior da Armada.

Na ocasião, representarão o curso os camaradas Vasconcelos da Cunha, Silva da Fonseca, Rebelo Duarte e Cardoso Anaia.


segunda-feira, maio 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Maio 2023

 

Decorria o mês de Abril de 1789. A 27 desse mês, O tenente William Bligh, comandante do HMS Bounty, não tinha razões para estar descontente, considerando que até àquele momento a missão que cumpria decorrera satisfatoriamente. A “Bounty” largara de Taiti (Otaheite, como a designavam) a 4 desse mesmo mês, levando um carregamento de pés da árvore da fruta-pão, destinadas a introdução nas “Índias Ocidentais”, devendo depois regressar à Europa.

Fora nomeado para o comando da “Bounty”, um navio de 3 mastros com cerca de 28 m e 215 ton, e uma guarnição de 44 homens, em 16 de Agosto de 1787 e acompanhara a preparação para a missão de perto. É certo que a partida de Inglaterra, a 23 de Dezembro de 1787, não fora auspiciosa, dados os ventos contrários encontrados e depois uma tempestade, que causou danos e perdas que obrigaram a arribar a Sta. Cruz de Tenerife, e mais tarde, o mau tempo voltou a impor-se, obrigando Bligh a desistir de passar ao Pacífico pelo Horn, e procurar o cabo da Boa Esperança. Mas esses eram contratempos familiares, e a “Bounty” chegara a ao Taiti a 9 de Outubro de 1788, após percorrer mais de 27000 milhas, cumprindo a primeira parte da missão.

A estadia, relativamente longa no Taiti também correra satisfatoriamente, quer por ter sido obtida a carga procurada quer pelo caloroso contacto com os habitantes. Da guarnição que partira das Ilhas Britânicas tinham falecido dois elementos, um no mar e outro já no Taiti, mas esses infelizes acontecimentos não punham em questão a missão. Sim, Bligh não deveria estar muito preocupado naquele dia 27, quando, tendo dado as ordens para a noite, recolheu ao seu alojamento. Porém, pouco antes do nascer do sol de 28 de Abril, em vez do cabo de quarto, foi acordado por Fletcher Christian, oficial de quarto àquela hora, acompanhado de dois outros elementos da guarnição, que, armados e ameaçando-o de morte, lhe deram voz de prisão e amarraram-lhe as mãos atrás das costas.

 Apesar de lhe ter sido imposto silêncio Bligh grita em busca de ajuda, mas os amotinados já tinham imobilizado os outros oficiais e o restante da guarnição, não havendo socorro possível. Foi então forçado a subir ao convés, levado para junto do mastro da mezena, e ouvido ameaças sempre que procurava uma explicação. Os revoltosos, apenas 9, elaboraram um bom plano para se apoderarem do navio, foram suficientemente discretos para não levantarem qualquer suspeita, escolheram um momento propício e foram eficazes na sua execução, bloqueando qualquer possibilidade de reacção. Dominando a situação, usando ameaças e sublinhando-as com armamento, mandaram arriar uma embarcação e forçaram a transferência de vários elementos para seu bordo permitindo que fossem levados alguns materiais tais como cabo, lona, velas, água, pão, algum rum e vinho e mesmo um quadrante e uma agulha, mas proibiram qualquer outro material necessário à navegação e armas. Depois de terem forçado todos os que não desejavam que permanecessem no navio a abandoná-lo, chegou a vez de Bligh e a embarcação foi amarrada à popa. Durante o embarque tornou-se aparente que uma parte dos que permaneceram não participou no motim, vários foram os que tentaram chamar à razão os amotinados ou fornecer mais alguma coisa aos expulsos tendo mesmo sido atirados para a embarcação alguns cutelos, roupa e alimentos, embora em pequena quantidade. E, antes de largarem a embarcação à deriva no Pacífico, os amotinados ainda se deram a uma sessão de humilhação aos expulsos.

Os amotinados apoderaram-se assim da “Bounty” e de tudo o que ela continha, incluindo os pertences dos que ficaram na embarcação, que viriam a dividir entre si. Bligh viu-os num rumo que julgou enganador, já que tinha percebido que pretendiam na realidade dirigir-se para Otaheite.

Cumprida com sucesso a revolta, viria a ser apenas o início de um longo drama que custou inúmeras vidas, sofrimento e recursos.

Bligh, e os seus procuraram reforçar mantimentos e água numa ilha próxima, tendo tido algum sucesso, mas quando os habitantes se tornaram agressivos fizeram-se ao mar, tendo no entanto sido morto um deles, à pedrada, durante o ataque de que foram vítimas. Enfrentam então uma extraordinária viagem, a bordo de uma embarcação de 7 m e boca aberta, sobrecarregada, comandados por Bligh até Kupang, na parte holandesa da ilha de Timor, onde chegam a 14 de Junho, num estado lastimável mas sem qualquer baixa. Após a necessária recuperação, regressarão à Europa separadamente, conforme os meios disponíveis, apenas 12 dos originais 19, tendo os restantes falecido. Bligh desembarcou na ilha de Wigh em Março de 1790. Viria, após promoção, a ser reenviado em missão semelhante, que cumpriu com sucesso.

Quanto aos amotinados, dirigiram-se inicialmente para a ilha Tubuai, pretendendo aí estabelecer-se, mas não foram felizes, dada a oposição da população e desacordos entre si, dirigindo-se então ao Taiti, onde a ausência de Bligh e restante pessoal bem como das plantas embarcadas provocou interrogações. Mentindo, conseguiram obter apoios e regressaram a Tubuai, levando também dezena e meia de taitianos, tentando retomar a ideia de aí se estabelecerem, projecto que não foram capazes de concretizar. Regressaram então de novo ao Taiti, onde a mentira tinha sido descoberta, e o grupo se separou, ficando em terra 16 e permanecendo no navio 9, partiram para não mais serem vistos, levando, contra sua vontade, 7 homens e 12 mulheres taitianos.

O HMS Pandora, uma fragata foi encarregada de capturar os amotinados. Chegou ao Taiti a 23 de Março de 1791 e aí foram presos 14 homens, tendo os restantes 2, dos 16 que a “Bounty” aí tinha deixado, já falecido. O “Pandora” procurou os restantes, pelas diversas ilhas sem sucesso, acabando por naufragar e originar muitas vítimas e novo drama de náufragos em embarcações de boca aberta. Apenas chegaram a Inglaterra 10 presos, tendo os outro 4 falecido no naufrágio. Foram julgados em corte marcial em Setembro de 1792, tendo sido considerados inocentes 4 e os restantes culpados, mas de entre estes o tribunal recomendou, com ênfase, ao Rei, o perdão a dois. O mandato final concedeu o perdão recomendado, acrescentando ainda um adiamento para um terceiro condenado, que viria também a ser perdoado. Os restantes foram sentenciado à morte.

Passados 20 anos, por mero acaso, um navio mercante americano (“Topaz”) descobriu, ao aproximar-se de uma das numerosas ilhas do Pacífico (Pitcairn) o rasto dos últimos amotinados. Sydney Smith, comandante da esquadra que escoltou a família real portuguesa quando esta se transferiu para o Brasil, do Rio de Janeiro, enviou o primeiro relato do assunto em 1809. Com a Europa em guerra, esta comunicação não teve qualquer seguimento, e, em 1815, com origem em dois navios britânicos (“Briton” e “Tagus”) que cruzavam no Pacífico, nova comunicação refere-se a Pitcairn, informando ser habitada, estar mal marcada nas cartas e nela viver uma pequena comunidade descendente de protagonistas do drama da “Bounty”. Também não houve qualquer seguimento desta comunicação, até que outro navio, o “Blossom”, em missão de exploração, visitou de novo a ilha. Nela, dos 9 amotinados vivia ainda apenas um, e dos taitianos não havia sobreviventes. John Adams, que ao tempo do motim se chamava Alexander Smith era o último dos revoltosos. Com base no que se conhecia e nas descrições de Adams, nem sempre verdadeiras, foi possível conhecer o destino dos amotinados.

 Em busca de um esconderijo seguro, Fletcher Christian, deu casualmente com a ilha após sair pela última vez do Taiti e decidiu ser o que procurava não só pela deficiente marcação nas cartas, mas também por ser de difícil desembarque e saber ser insuficiente a tripulação de que dispunha. O navio foi encalhado na foz de um ribeiro e dele retiraram tudo o que puderam, incendiando-o depois, para evitar chamar a atenção. Pouco tempo depois taitianos e europeus entraram em irremediável conflito, sucedendo-se assassinatos de tal forma que apenas sobreviveram dois, um deles Adams, apesar de também ele ter sido ferido. A partir daí, a paz, simpatia e entreajuda mútuas estabeleceram-se, crescendo a população descendente dos amotinados e taitianos. Falecido o penúltimo, por doença, Adams tornou-se o dono da ilha e a comunidade ganhou solidez, sendo descrita com simpatia e admiração por quem a contactou. Adams faleceu em 1829, nunca tendo sido preso.

Referências:

The Eventful History of the Mutiny and Piratical Seizure of H.M.S. BOUNTY: Its Cause and Consequences
Sir John Barrow

A Voyage to the South Sea For The Purpose Of Conveying The Bread-Fruit Tree To The West Indies, Including An Account Of The Mutiny On Board The Ship,
William Bligh,

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Neste último Abril passou mais um aniversário do “25 de Abril”, o quadragésimo nono. Neste primeiro dia do mês de Maio, o “25 de Abril” vive já seu quinquagésimo ano. Para quem viveu os tempos que o precederam, não apenas no sentido de que “já era vivo”, mas que, mesmo de longe, tenha acompanhado os acontecimentos que acabaram por o motivar, será porventura inevitável que lá regresse, através quer de memórias próprias quer de testemunhos alheios quer ainda de diversas iniciativas em muitas e diversificadas áreas que, como habitualmente, relembram e comemoram a data de 25 de Abril de 1974.

E, talvez também inevitável, encontrar algum espanto ao comparar o que podemos chamar de expectativas nesse passado com o que se lhe seguiu, até ao presente que vivemos. E as diferenças não são apenas decorrentes do período de quarenta e nove anos (que sem dúvida traria modificação por si só em qualquer sociedade), mas em decisiva parte fruto da intervenção do Movimento das Forças Armadas no rumo a que se governava o país. O “25 de Abril”, foi, na realidade, um momento revolucionário na nossa História.

Engalanamos em arco e relembramos o primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas

 “Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma.
Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.”

(Emitido pouco depois das 04:00 do dia 25 de Abril de 1974
no Rádio Clube Português, pelo jornalista Joaquim Furtado)

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Quanto aos eventos que estão a ser considerados para marcar o sexagésimo ano de ingresso na Escola Naval do Curso Corte Real, foram considerados:

  • Cumprimentos ao Chefe do Estado Maior da Armada;
  • Conferência acerca da Marinha, pretendendo-se uma abordagem da actual situação e das perspectivas futuras, que talvez possa ser seguida de uma visita a uma unidade naval, a realizar preferencialmente em Maio ou Junho;
  • Visita à Escola Naval, a realizar em Outubro, em romagem de saudade;
  • Almoço com famílias, a realizar em finais de Outubro, na Messe de Cascais;
  • Fim de semana em Tavira, a realizar em Novembro, onde a família Corte Real tem a sua origem, e onde existe uma réplica da Pedra de Dighton oferecida pelo curso CR quando das comemorações dos 50 anos.

Estão em curso diligências para fixar datas e estabelecer pormenores, de que daremos notícia logo que deles tenhamos conhecimento.

E por fim, mas mais importante, resta-nos lembrar que neste mês de Maio, acabado de chegar, os seguintes elementos deste curso celebrarão mais um aniversário.

A todos, um abraço de parabéns:

12MAI (1946) Tito João Abrantes Serras Simões
22MAI (1943) António Fernando Vasconcelos da Cunha
24MAI (1944) José Matias Cortes
25MAI (1944) João António Lopes da Silva Leite
26MAI (1945) José Luís Pereira de Almeida Viegas
30MAI (1946) José Luís Rodrigues Portero

Recordamos também o José Pires Sargento Correia, nascido a 05MAI e o Carlos Amante Crujeira, nascido a 10MAI, que já faleceram.
 

sábado, abril 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Abril 2023

A 11 do mês passado, uma significativa parte da guarnição de um navio patrulha costeira, o NRP Mondego, em serviço na Madeira, recusou-se a cumprir a ordem de saída para o mar. Tal atitude, a todos os títulos inusitada, provocou múltiplos reflexos tais como opiniões ou comentários ou mesmo, a elevado nível, reacções tais como na Presidência da República ou no Ministério da Defesa Nacional, ou ainda, na Chefia do Estado Maior da Armada.

Sendo, na altura do incidente, a guarnição do navio constituída por 25 elementos, (5 oficiais, 5 sargentos e 15 praças), um total de 13 elementos (4 sargentos e 9 praças) recusou o cumprimento da ordem, justificando o acto pela deficiente condição do navio, em que diversas avarias comprometeriam a segurança, tendo inviabilizado o cumprimento da missão atribuída.

A gravidade do acontecido levou a que o Chefe do Estado Maior da Armada se tivesse deslocado ao Funchal onde, a bordo, falou à guarnição, tendo as suas palavras sido captadas no cais, originando opiniões de que se tinha tratado de um ‘raspanete’ ou ‘reprimenda’ à guarnição. Em declarações à comunicação social, colocou a tónica na necessidade da disciplina, que considerou ser a ‘cola essencial das forças armadas’, e também no crédito que a linha de comando carece, sem o qual elas deixariam de existir.

O inusitado da atitude dos elementos da guarnição e a parte que representam na guarnição total do navio parecem indicar que a confiança na linha de comando, neste caso, para eles se extinguiu. E, se bem que a indisciplina tenha de ser sancionada, já que a disciplina a todos abrange, também a razão que levou a que tal acontecesse precisa ser identificada e, eventualmente, expurgada.

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Neste mês de Abril de 2023 completam mais um ano:

07ABR (1945) Manuel Agostinho de Castro Freire de Menezes
12ABR (1944) Alfredo Virgílio Vitorino Dias
27ABR (1945) Victor Manuel Jorge Amaral

Daqui a todos enviamos um abraço de parabéns.

Recordamos também o Joaquim Francisco de Almeida Paes de Villas-Boas, nascido em 18ABR e o José Carlos Alves d’Almeida, nascido em 26ABR, ambos já falecidos.


quarta-feira, março 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Março 2023

Uma série de sismos, iniciada com um de violenta magnitude de 7,8 na escala de Richter, abateu-se no mês passado sobre a Turquia e a Síria, provocando vasta destruição material e um número de vítimas mortais, avaliado recentemente, em pelo menos 50000 pessoas. As autoridades referem que aproximadamente 2 milhões de pessoas ficaram desalojadas e que mais de 170000 imóveis não têm condições de habitabilidade, tendo de ser demolidos, pelo que facilmente se deduz que o número de desalojados é imenso. Uma tragédia que virá a exigir, muito possivelmente, um esforço solidário internacional com as populações atingidas que possa, pelo menos, minorar o seu sofrimento.

Não muito longe do sismo que referimos, a guerra na Ucrânia continuou a destruição material e a aumentar o número de baixas, tendo passado, a 24 de Fevereiro o primeiro aniversário da invasão. A posição dos dirigentes quer da Ucrânia, quer da Federação Russa, quer ainda da NATO ou da União Europeia não sofreu qualquer evolução ao longo do mês passado, tendo-se apenas reforçado a posição de que uma vitória da Rússia equivale a uma derrota não apenas da Ucrânia, mas também dos países e organizações que a estão a apoiar no conflito, que cada vez mais vezes são referidos na comunicação social como seus “aliados”. A 23 de Setembro, na Assembleia Geral das Organização das Nações Unidas, da qual fazem parte 193 estados, uma resolução aprovada por uma inequívoca maioria de 141 votos, manifestou-se pela retirada imediata das forças invasoras e apontou para a necessidade de uma “paz abrangente e duradoura”. A China, que se absteve na votação desta resolução, apresentou um plano para a paz, que foi recebido pelos “aliados” com descrença, mas é cedo para avaliar o valor que poderá vir a ter.

Em Portugal assinalamos a rendição do Alm Silva Ribeiro pelo Gen Nunes da Fonseca na Chefia do Estado Maior General das Forças Armadas.

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Quanto a aniversários, lembramos, para quem esteja já esquecido, que se completarão, em Setembro, 60 anos após a entrada na Escola Naval dos camaradas deste curso Corte Real. 60 anos durante os quais vimos passar perante nós, ou neles mergulhámos, importantes acontecimentos seja na Marinha, em Portugal, na Europa ou no Mundo, e também, por último, mas não menos relevantes, da vida pessoal. Não será muito fácil comparar a Marinha de hoje com a daquele longínquo Setembro ou, na verdade, procurar fazer o mesmo com o CR: o tempo se encarregou de fazer cair, ao calhas, umas vezes suavemente como a neve e outras vezes com violência catastrófica, os átomos diários da diferença. Estamos todos (muito) diferentes!

Mas, apesar disso, podemos ainda encontrar as linhas que nos unem, as memórias que partilhamos e essa indefinível camaradagem nascida sob o lema Talant de Bien Faire; e por isso um grupo de camaradas procura encontrar um conjunto ligeiro de iniciativas que, sem prejuízo do simbolismo, possa marcar o supra citado aniversário. Por enquanto em estudo, daremos nota de futuros desenvolvimentos.

Lembramos também que neste mês de Março de 2023 celebram mais um aniversário os seguintes camaradas:

07MAR (1944) Francisco Ferreira Baptista
09MAR (1945) José dos Santos Jorge
12MAR (1943) António José Valadas Borrego Linhan
24MAR (1944) Zenóbio José Roque Cavaco

Daqui enviamos os nossos parabéns.

Recordamos os camaradas já falecidos, António Dias Ferreira (em 04MAR2012), e Fernando Sanches de Oliveira (nascido a 25MAR).

quarta-feira, fevereiro 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Fevereiro 2023

A “Pero Escobar”, uma fragata, esteve ao serviço da nossa Marinha de Guerra entre 1957 e 1976, quando foi abatida ao efectivo. Construída na Itália, no estaleiro “Cantieri Naval Meccanica” (Castellamare di Stabia), foi lançada à água em 1955 e entrou no Tejo pela primeira vez em 1958. Com cerca de 93m de comprimento, quase 11m de boca e 3m de calado, atingia uma velocidade máxima de cerca de 32,5 nós, proporcionada por uma instalação propulsora (caldeiras e turbinas a vapor) com 24000 cv (cerca de 17650 kW), que lhe garantiu o título de navio mais rápido da Marinha durante alguns anos.

Era a nossa “Gina”, não havendo quem duvidasse a qual navio se aplicava a designação, dados o lugar onde fora construído, as suas linhas consideradas elegantes e a fama de Gina Lollobrigida, que protagonizara não há muito tempo o filme La Donna piú bella del mondo (1955). Coisas de marinheiros...

Gina Lollobrigida teve conhecimento da designação e fez chegar ao navio uma grande fotografia onde inscreveu uma simpática dedicatória. A fotografia foi colocada na câmara de oficiais e aí permaneceu até ao abate, tendo depois sido transferida para o Museu de Marinha.

Gina LolloBrigida faleceu no mês de Janeiro passado, aos 95 anos. Não nos é possível evitar que na memória apareçam imagens da sua presença nos ecrãs de cinema. Que descanse em paz. 


O mês passado foi (e, na verdade, também Dezembro de 2022) de mar desencontrado para o Governo, enformado em uma série de incidentes inesperados que motivou uma enorme onda de críticas, levou a várias demissões (chegando mesmo, uma delas, a ocorrer escassas 25 horas após a nomeação) e obrigou a uma remodelação do Governo. O Serviço Nacional de Saúde evidencia fortes dificuldades e na Educação não faltaram a greve e manifestações com consequências de sensível gravidade para muitas famílias e estudantes, para citar apenas alguns dos problemas que é possível encontrar referenciados nos órgãos da comunicação social. O Presidente da República, aliás como é seu hábito, pronunciou-se publicamente sobre parte importante dos incidentes, talvez afectando a respectiva evolução.

Um clima de suspeição omnidireccional e de largo espectro parece instalado, alimentado por frequentes notícias resultantes de jornalismo de investigação ou de investigações levadas a cabo pelas autoridades. Estão em foco a lisura, a competência, a seriedade, a honestidade ou a forma de interpretar o que é o “serviço público” de quem governa ou dirige. A tal ponto que o Primeiro Ministro anunciou a criação de um “mecanismo” de verificação prévia, espécie de filtro para nomeações, posteriormente materializado num questionário de 36 perguntas, classificadas como “uma antecipação daquelas que a comunicação social, mais dia menos dia, vai fazer” pelo Presidente da República, aparentemente no caminho de acrescentar um novo poder aos três que a democracia classicamente considera.

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Na Ucrânia a guerra e o seu rasto de morte e destruição prosseguiram ao longo do mês passado, dominado pela decisão da entrega ao Governo ucraniano de carros de combate de maior capacidade, que acabou por ocorrer, destapando de imediato as vontades de, de igual modo, proceder com aeronaves de combate sofisticadas. A invasão da Ucrânia terá completado, a 24 deste mês, um ano e não é fácil descortinar qualquer indício sério de suspensão de hostilidades ou de trazer o conflito para a diplomacia. Pelo contrário, cada vez mais armamento e de maior capacidade converge para a região, mais pessoal é empenhado, com maior treino e melhor equipamento. Essa convergência é avaliada de forma diferente pela Ucrânia, que carece de mais meios para se defender da invasão, ou pela Federação Russa, que afiança ser um significativo aumento de ameaça para si, naturalmente não considerando quão ameaçadoras, para a Ucrânia, são as suas próprias forças, que também convergem para a região e se fortalecem.

Estará em marcha o propulsor que levará, já sem possibilidade de controlo, a um agravamento imparável do conflito? Alguns observadores assim parecem considerar, e mesmo que já está em curso uma 3ª guerra mundial de facto, apontando a impossibilidade de qualquer dos lados se retirar:  já terá sido ultrapassado o ponto de não retorno.

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Neste mês de Fevereiro cumprem mais um aniversário os seguintes camaradas, a quem endereçamos sinceros parabéns:

04FEV (1944) Carlos Eduardo Vigoço Saldanha Carreira
13FEV (1945) Francisco José Morgado Castro e Silva
22FEV (1946) Augusto Manuel da Silva e Pinho

Recordamos também os camaradas já falecidos, Henrique Eugénio Claudino Morgado, Luís Gonçalves Marques Bilreiro, Luís Alberto Cristiano de Oliveira, Manuel Amândio Francisco Pina, José Carlos Alves d’Almeida (falecido a 03FEV2021) e Joaquim Francisco de Almada Paes de Villas-Boas (falecido a 15FEV2021).


domingo, janeiro 01, 2023

Aniversários de elementos do CR: Janeiro 2023

Jogar à bola é algo simples, fácil de compreender e fácil de executar. Joga-se em qualquer lugar, na rua, num baldio ou na praia, improvisa-se bola e balizas. Não as há? Criam-se, duas marcas de cada lado, aproximadamente da mesma dimensão, talvez com a pasta da escola, umas pedras ou roupa amontoada. A bola é muito cara? Fabrica-se uma, basta uma meia velha, alguns trapos ou papéis. Não há árbitro? Desnecessário! É preciso escolher duas equipas? Dois futuros jogadores separam-se alguns metros, e medem a distância com os seus pés; quem calcar o pé do outro inicia a escolha, alternando com o perdedor. Não há relógio para medir o tempo de cada parte? Troca aos 5 e acaba aos 10. O número de pretendentes é ímpar? O último escolhido muda de equipa a meio tempo. Só há dois jogadores? Joga-se baliza a baliza. Não há quarda-redes? Marca-se a zona onde o remate é possível e talvez se diminua a dimensão da baliza.

Claro, há o futebol. Onde as regras são mais rigorosas, onde tudo é mais sério, onde o jogo vive para além dele próprio, de permeio com outros jogos de outras equipas, na disputa de torneios. Mas a simplicidade original, a simbiose entre o individual e a equipa, o sabor da vitória, da habilidade da finta, do desarme, ou do golo obtido ou evitado, das fífias, das perdidas insanas ou dos frangos e dos imponderáveis próprios de um jogo lá estão e são sentidos e partilhados em comum e nem o árbitro ou os espectadores se excluem. Cada encontro é único, derrota ou vitória encerram-se quando termina, entrem ou não para a história em lugar destacado ou tragam consequências num torneio. No próximo encontro tudo recomeça por 0-0.

O futebol hoje é ubíquo, evoluiu muito a partir dos anos 50 do século passado, movimenta incontáveis interesses, emociona multidões, influencia governantes. Um dos grandes responsáveis por esta evolução, Edson Arantes do Nascimento, Pelé, faleceu no final do mês passado. Dotado de uma extraordinária habilidade, exibia velocidade, força, inventiva na finta, facilidade no remate e rapidez de reacção espantosas, tendo-se tornado no que alguns designam como o primeiro “jogador-marca” do mundo ou, também, o “melhor futebolista de sempre”.

O futebol continuará a evoluir, e virá provavelmente a ser bem diferente do que hoje conhecemos. Mas Pelé não será esquecido por muito tempo. Que descanse em paz.  

Na Ucrânia a guerra continuou, aparentemente com as forças da Federação Russa a consolidar o domínio sobre a região sudeste do país, noticiando-se a construção de obras de defesa, o aumento de efectivos e ataques intensos e frequentes a infraestruturas necessárias à produção e distribuição de energia. Como resultado a energia disponível tornou-se deficitária, pelo menos em algumas regiões, gerando um problema grave durante o inverno.

Na frente diplomática registam-se declarações em que a paz e a negociação estão presentes. A Ucrânia manifestou o desejo de uma cimeira de paz até ao fim de Fevereiro, sob a égide da Organização das Nações Unidas e com a participação do respectivo Secretário Geral, mas com condições para que a Federação Russa pudesse estar presente, a saber, que a Rússia aceitasse ser julgada em tribunal internacional por crimes de guerra. Pelo seu lado, o Presidente da Rússia afirma que a Rússia está pronta a negociar, mas apenas sobre situações que sejam aceitáveis. Parece evidente que a diplomacia só está diplomaticamente a falar, mas a efectiva vontade de paz está ainda longe de poder manifestar-se realmente.

A COVID parece estar em franco crescimento na China, motivando sérias preocupações caso se venha, como não seria surpresa, a espalhar-se por outros países, em particular se uma nova vaga for estimulada por variantes de características desconhecidas. Alguns países já tomaram medidas para restringir entradas de pessoas portadoras provindas da China, mas, dada a experiência do passado, tais medidas não podem ser consideradas como suficientemente eficazes.

Estamos pois num novo ano, MMXXIII, atravessando um Inverno por enquanto bem pródigo em nuvens prontas a deixar cair água para o solo. Neste mês de Janeiro celebram os respectivos aniversários:

07JAN (1945) Aristides da Costa e Silva
21JAN (1944) José Maria Rodrigues Rica

A ambos um abraço de parabéns.

Recordamos também o António Júlio Monsanto de Campos, nascido a 31JAN45 e falecido a 18DEZ2017 e o Alexandre José dos Santos, nascido a 16JAN1945, que julgamos já falecido, mas cujo registo não consta no Arquivo de Identificação.

Um 2023 Feliz